Para conhecer um pouco mais sobre Peter Joseph, veja esta entrevista realizada em dezembro de 2009.
Mais sobre o Projeto Vênus e Jacque Fresco pode ser lido aqui. Website em inglês.
O nosso sistema econômico atualmente é monetário (baseado em moeda), que tem como principal motivação o lucro. Por sua vez, na busca por lucratividade, inevitavelmente gera-se escassez, pobreza, crime, corrupção, guerra e inúmeros outros sintomas. Impede também o desenvolvimento saudável da tecnologia científica, que deveria ser utilizada para benefício de toda a sociedade, assegurando a proteção do meio-ambiente, e não em prol da construção de armas, da massificação do consumo, da alienação e diversas outras aberrações. Os processos resultantes do sistema monetário, como o trabalho recompensado por dinheiro e a competição, alienam indivíduos afastando-os de seus verdadeiros potenciais de criatividade. Se a tecnologia científica fosse utilizada fora do âmbito do lucro, haveria maior abundância e distribuição inteligente de recursos, com consequente repercussão numa drástica redução da corrupção, da ganância e do egoísmo que caracterizam o mundo humano.
A vida de todas as pessoas e nações, independente de filosofia política, credos religiosos ou costumes sociais, são idênticas na dependência por recursos naturais. Todos os seres necessitam de água e ar limpos, terra fértil para obtenção de alimentos, tecnologia e conhecimento técnico para proporcionar um alto padrão de qualidade de vida. Não existe dinheiro no mundo para garantir o acesso ao melhor que a tecnologia tem a proporcionar, como um ambiente plenamente saudável e a mais alta qualidade de vida. Mas existem recursos mais do que necessários para que isso seja feito. Ou seja, o planeta Terra tem recursos abundantes, mas a nossa forma de racionalizar estes recursos através do dinheiro está obsoleta, causando o sofrimento humano que já conhecemos. Não é de mais dinheiro que precisamos, mas de uma gestão inteligente dos recursos disponíveis no planeta que traga benefício a todos. E isto só pode ser alcançado através de uma economia baseada em recursos (EBR).
A EBR representa um conceito muito diferente deste praticado até hoje em todo o mundo. Este sistema usa recursos ao invés de dinheiro, e as pessoas têm acesso a qualquer coisa que necessitam sem restrições, crédito, escambo ou qualquer outra forma de dívida ou servidão. Todos os recursos são tratados como uma herança comum aos habitantes da Terra, a casa de todos. A verdadeira riqueza de qualquer nação não está concentrada no seu dinheiro, e sim no seu desenvolvimento técnico, de modo a eliminar a escassez e proporcionar uma vida mais humana. Numa economia baseada em recursos, estes são usados diretamente para elevar a vida de toda a população global. Com base nos recursos, e não no dinheiro, nós podemos satisfazer todas as necessidades e proporcionar um novo significado de ser humano.
Se isto ainda pode parecer confuso, reflita: se um grupo de pessoas ficasse preso em uma ilha com dinheiro, ouro e diamantes, mas a ela não oferecesse terra arável, alimentos, nem água potável, a riqueza monetária seria irrelevante para a sobrevivência. O que aconteceria se todo o dinheiro do mundo desaparecesse hoje mesmo? Se o solo, a tecnologia e todos os outros recursos estiverem por aqui, poderíamos construir qualquer coisa que quiséssemos, preenchendo nossas necessidades. No fim das contas, não é mais de dinheiro que precisamos, e sim da satisfação de nossas necessidades com os recursos apropriados. Máquinas, indústrias, técnicas, conhecimento, teorias, ferramentas e muito mais são também recursos. Estes recursos, ditos como tecnologia científica, estão hoje em um patamar capaz de gerar abundância para os recursos de satisfação humana, tais como água, moradia, transporte, educação, energia, alimentos etc.
Através da implantação plena da automação do trabalho técnico repetitivo e previsível, tornando a máquina um servidor à sociedade global, somos capazes de construir um mundo de inúmeras possibilidades técnicas. O humano, então, voltaria sua dedicação ao trabalho criativo, de pesquisa e o que mais puder criar. Grandes sofrimentos sociais, tais como ganância, ódio, violência urbana, marginalização, pobreza, guerras, furtos e muito mais, seriam apenas uma triste lembrança do passado.
Zeitgeist: do alemão "espírito da era". É a "cara" do momento, os valores de dado período de certa sociedade. Pode ser também interpretado como o senso comum da época em questão.
Movimento Zeitgeist: quando o termo movimento se junta ao termo zeitgeist, implica uma ação social para a mudança dos valores, da cultura, do senso comum e dos comportamentos de dada sociedade em determinado momento. No caso, como trata-se do mundo, esta sociedade é a humanidade toda. E o período é o nosso presente.
Inspirado nessa expressão, em 2007 o músico e cineasta Peter Joseph produziu o documentário Zeitgeist: The Movie, denunciando, dentre outros aspectos, o sistema monetário como suposto responsável pela manutenção das mazelas e conflitos sociais. A repercussão do filme foi tamanha que Peter acabou por encontrar Jacque Fresco, o responsável pelas pesquisas e desenvolvimento do Projeto Vênus, que apresenta uma nova proposta de organização social, a economia baseada em recursos, como alternativa para superar o modelo monetário. Este projeto propõe a aplicação da tecnologia e do método científico para o gerenciamento inteligente dos recursos do planeta.
Aliando o caráter conscientizador de seu trabalho aos ideais do Projeto Vênus, em 2008, Peter Joseph lançou Zeitgeist: Addendum, indicando no final do documentário um meio de conectar todos que se interessavam na proposta de mudanças nos paradigmas sociais. Conforme o documentário foi conquistando público ao redor do mundo, mais e mais interessados se cadastravam no site global com o intuito de participarem voluntariamente do processo de mudança. Em dois anos, ultrapassava-se o impressionante número de meio milhão de inscritos no site.
Hoje este processo encontra-se com uma perspectiva além de definições de grupos, organizações e movimento sociais. O que há é um reconhecimento de que todos somos humanos e precisamos voltar nossas habilidades e compreensões em prol do desenvolvimento de nossas vidas aqui na Terra, neste tempo presente e imediato. Para tal, este website é visto como um agregador de voluntários que, em conjunto, procuram tornar real um mundo melhor para todos. Não há qualquer forma de separações e/ou distinções, seja por localização, habilidades, histórico de vida, nem mesmo o conceito de membro ou ativista é considerado. Somos todos humanos. É para humanos que nossas atividades se voltam, não para clientes, ou para brasileiros, russos, negros, pobres, socialistas, cristãos, o que for. É com a compreensão global de raíz que podemos abraçar todos e SERMOS humanos que levam à sério a humanidade.
Fundamentalmente, o método científico é uma análise sistemática dos processos da natureza. Trata-se de aprender o que ela tem a ensinar à humanidade sobre seus modos de funcionamento. Mas, para isto ter algum valor prático, é preciso ficar claro do que se trata a natureza. Por ela, entendemos absolutamente tudo o que há conhecido e desconhecido no universo, incluindo as árvores, oceanos, bactérias, animais, estrelas e o oxigênio.
Contudo, o que geralmente é negligenciado é que aqueles recursos produzidos diretamente pela engenhosidade humana, como carros, casas, as leis da física, equipamentos médicos, telefones celulares etc., são tão naturais como os outros itens listados no parágrafo acima. Ou seja, todo e qualquer recurso produzido diretamente pelas mãos humanas também é natureza, inclusive o próprio conceito de humanidade e sua sociedade global.
Para aquilo o que chamamos de tecnologia, basicamente o que o humano faz é alterar a composição e a ordem dos elementos naturais. Portanto, tecnologia e natureza são assuntos comuns. E tecnologia, por sua vez, é resultado direto dos processos do método científico. E o funcionamento deste método se consiste em várias etapas. Resumidamente podemos apontar as seguintes:
1) A primeira é o momento de indagações puras, é quando questiona-se sobre quão diferente aquilo que existe pode ser. Por exemplo, pode-se perguntar questões como "em que temperatura a água ferve? Qual o tamanho da Terra? O que podemos fazer para eliminar determinadas doenças? Como podemos ter um transporte que não mate ninguém? Como podemos produzir casas para todos? É possível extinguir a violência?" ou qualquer outra dúvida.
2) Na etapa seguinte, criam-se hipóteses, que são especulações acerca daquilo que pretende-se descobrir. Ou seja, são possíveis respostas de caráter temporário. Geralmente elas são originadas a partir de pesquisas do conhecimento prévio disponível.
3) No terceiro momento, pratica-se a experiência. Ou seja, coloca-se em xeque a hipótese levantada com a intenção de responder a pergunta do princípio. É neste momento que os humanos assumem uma postura de humildade perante os processos da natureza. Na experiência, sistematicamente tenta-se praticar inúmeras possibilidades daquilo que se procura. Isto é a natureza dizendo para a humanidade o que funciona e o que não funciona. Por exemplo, podemos testar quais tipos de focos de incêndio a água é capaz de apagar. Podemos testar quais tipos de medicamentos são mais eficazes contra certas doenças. Podemos investigar a causa do comportamento violento etc.
Todas as experiências são documentadas e sistematicamente registradas. Cada novo achado é compartilhado globalmente. Se algum indivíduo duvidar daquilo que foi descoberto, o mesmo caminho pode ser reproduzido. Se o mesmo resultado for encontrado, o conhecimento ganha mais força e segurança. Teorias podem, então, começar a surgir. Se o mesmo caminho mostrar resultados diferentes, reinicia-se todo o processo até que a investigação exponha novas descobertas.
Portanto, não se trata de uma questão de opinião ou outras subjetividades humanas. Mesmo que alguma hipótese demonstre uma lógica coerente, é a natureza que determina a real validade daquilo que se propõe (através de testes). E uma vez que entendemos que a natureza é absolutamente tudo o que existe, o método científico se trata do modo mais seguro, consistente, preciso e flexível de entender o mundo, o universo e, portanto, a vida e todos os seus funcionamentos, inclusive a humanidade.
O senso-comum e a tradição, até mesmo códigos morais e outros costumes, são irrelevantes para a natureza. Ela determina que todo humano necessita de água, pouco importa as crenças pessoais do indivíduo. A humanidade tem a segurança deste conhecimento porque aplicou o método científico ao longo dos tempos, mesmo que de forma rudimentar em seus primórdios. Tudo, quando testado, leva ao descobrimento dos segredos da natureza.
Como Carl Sagan afirmou: "nós organizamos uma civilização global em que os elementos mais cruciais - o transporte, comunicações e todas as outras indústrias: agricultura, medicina, educação, entretenimento, proteção do ambiente, e até mesmo o elemento-chave da instituição democrática do voto - dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também organizamos as coisas de um modo que quase ninguém entende ciência e tecnologia. Esta é uma receita para o desastre. Podemos conviver com isso por um tempo, mas cedo ou tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara." [O Mundo Assombrado Pelos Demônios. p. 28.]
Sendo assim, a atitude mais sensata a tomar é aplicar o método científico nos assuntos sociais em todo o globo terrestre. No estado de poder tecnológico em pleno século XXI, os humanos têm um acúmulo de produção de energia, em que os resultados da pesquisa científica podem (e devem) ser usufruídos por todos, sem exceção. Contudo, tal objetivo de sustentar um esquema dinâmico de pesquisa, produção e compartilhamento equânime de bens, de recursos e de qualidade de vida não será alcançado enquanto valores e métodos econômicos, políticos e sociais forem direcionados para a escassez e competição. A economia monetária não permite o pleno desenvolvimento científico. Portanto, dentro de suas regras, não é possível a humanidade viver o mais plenamente possível.
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