Método Científico

Fundamentalmente, o método científico é uma análise sistemática dos processos da natureza. Trata-se de aprender o que ela tem a ensinar à humanidade sobre seus modos de funcionamento. Mas, para isto ter algum valor prático, é preciso ficar claro do que se trata a natureza. Por ela, entendemos absolutamente tudo o que há conhecido e desconhecido no universo, incluindo as árvores, oceanos, bactérias, animais, estrelas e o oxigênio.

Contudo, o que geralmente é negligenciado é que aqueles recursos produzidos diretamente pela engenhosidade humana, como carros, casas, as leis da física, equipamentos médicos, telefones celulares etc., são tão naturais como os outros itens listados no parágrafo acima. Ou seja, todo e qualquer recurso produzido diretamente pelas mãos humanas também é natureza, inclusive o próprio conceito de humanidade e sua sociedade global.

Para aquilo o que chamamos de tecnologia, basicamente o que o humano faz é alterar a composição e a ordem dos elementos naturais. Portanto, tecnologia e natureza são assuntos comuns. E tecnologia, por sua vez, é resultado direto dos processos do método científico. E o funcionamento deste método se consiste em várias etapas. Resumidamente podemos apontar as seguintes:

1) A primeira é o momento de indagações puras, é quando questiona-se sobre quão diferente aquilo que existe pode ser. Por exemplo, pode-se perguntar questões como "em que temperatura a água ferve? Qual o tamanho da Terra? O que podemos fazer para eliminar determinadas doenças? Como podemos ter um transporte que não mate ninguém? Como podemos produzir casas para todos? É possível extinguir a violência?" ou qualquer outra dúvida.

2) Na etapa seguinte, criam-se hipóteses, que são especulações acerca daquilo que pretende-se descobrir. Ou seja, são possíveis respostas de caráter temporário. Geralmente elas são originadas a partir de pesquisas do conhecimento prévio disponível.

3) No terceiro momento, pratica-se a experiência. Ou seja, coloca-se em xeque a hipótese levantada com a intenção de responder a pergunta do princípio. É neste momento que os humanos assumem uma postura de humildade perante os processos da natureza. Na experiência, sistematicamente tenta-se praticar inúmeras possibilidades daquilo que se procura. Isto é a natureza dizendo para a humanidade o que funciona e o que não funciona. Por exemplo, podemos testar quais tipos de focos de incêndio a água é capaz de apagar. Podemos testar quais tipos de medicamentos são mais eficazes contra certas doenças. Podemos investigar a causa do comportamento violento etc.

Todas as experiências são documentadas e sistematicamente registradas. Cada novo achado é compartilhado globalmente. Se algum indivíduo duvidar daquilo que foi descoberto, o mesmo caminho pode ser reproduzido. Se o mesmo resultado for encontrado, o conhecimento ganha mais força e segurança. Teorias podem, então, começar a surgir. Se o mesmo caminho mostrar resultados diferentes, reinicia-se todo o processo até que a investigação exponha novas descobertas.

Portanto, não se trata de uma questão de opinião ou outras subjetividades humanas. Mesmo que alguma hipótese demonstre uma lógica coerente, é a natureza que determina a real validade daquilo que se propõe (através de testes). E uma vez que entendemos que a natureza é absolutamente tudo o que existe, o método científico se trata do modo mais seguro, consistente, preciso e flexível de entender o mundo, o universo e, portanto, a vida e todos os seus funcionamentos, inclusive a humanidade.

O senso-comum e a tradição, até mesmo códigos morais e outros costumes, são irrelevantes para a natureza. Ela determina que todo humano necessita de água, pouco importa as crenças pessoais do indivíduo. A humanidade tem a segurança deste conhecimento porque aplicou o método científico ao longo dos tempos, mesmo que de forma rudimentar em seus primórdios. Tudo, quando testado, leva ao descobrimento dos segredos da natureza.

Como Carl Sagan afirmou: "nós organizamos uma civilização global em que os elementos mais cruciais - o transporte, comunicações e todas as outras indústrias: agricultura, medicina, educação, entretenimento, proteção do ambiente, e até mesmo o elemento-chave da instituição democrática do voto - dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também organizamos as coisas de um modo que quase ninguém entende ciência e tecnologia. Esta é uma receita para o desastre. Podemos conviver com isso por um tempo, mas cedo ou tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara." [O Mundo Assombrado Pelos Demônios. p. 28.]

Sendo assim, a atitude mais sensata a tomar é aplicar o método científico nos assuntos sociais em todo o globo terrestre. No estado de poder tecnológico em pleno século XXI, os humanos têm um acúmulo de produção de energia, em que os resultados da pesquisa científica podem (e devem) ser usufruídos por todos, sem exceção. Contudo, tal objetivo de sustentar um esquema dinâmico de pesquisa, produção e compartilhamento equânime de bens, de recursos e de qualidade de vida não será alcançado enquanto valores e métodos econômicos, políticos e sociais forem direcionados para a escassez e competição. A economia monetária não permite o pleno desenvolvimento científico. Portanto, dentro de suas regras, não é possível a humanidade viver o mais plenamente possível.

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