Uma mudança social fluida só pode se concretizar com o encontro de duas condições. Primeiro, o sistema de valores humanos, que consiste de nossos entenderes e crenças deve ser atualizado e alterado através de educação e introspecção cuidadosa. Segundo, o ambiente ao redor desse sistema de valores deve mudar para apoiar a nova visão de mundo. A interação entre o sistema de valores de uma pessoa e seu ambiente é o que influencia o comportamento humano.
Por exemplo, na nossa cultura a “ética” é de fato uma coisa relativa, visto que o nosso sistema social promove e recompensa competição e interesse próprio. Essa perspectiva não só “leva” a desvios de comportamento... como o cria diretamente. A corrupção é a norma na nossa sociedade e a maioria das pessoas não vê isso, porque enquanto a sociedade apoiar esse comportamento, ele será considerado certo e normal... ou uma coisa relativa.
Partindo dessa compreensão, existe uma falácia que surgiu na qual certos grupos são taxados de “corruptos” enquanto os demais são “bons”. Essa é a velha visão de mundo “nós e eles” que não tem base empírica alguma, uma vez que, novamente, é uma coisa relativa.
Por exemplo, existe um grande movimento de pessoas que estão constantemente falando sobre a “Nova Ordem Mundial” e essa ideia de que há uma elite de pessoas que estiveram tentando dominar o mundo por um longo tempo e manipularam a sociedade de várias maneiras para levar os seus objetivos adiante.
Isso, certamente, é verdade até certo ponto.
PORÉM, o erro de percepção é que esse “grupo” não é um grupo coisa nenhuma. É uma tendência.
Se você tirasse todas as pessoas do topo envolvidas no comando hegemônico global, seria apenas uma questão de tempo até outro grupo entrar em cena e buscar pela mesma ambição. Portanto, o problema não está no indivíduo ou em grupos. Na verdade, está nas condições sob as quais essas pessoas foram acostumadas e doutrinadas. Como seriam de esperar, muitos criticam essa visão com a noção escapista de que é a “natureza humana” que causa essa competição e necessidade de dominância. Isso é incompatível com os fatos. Na realidade, somos quase folhas em branco quando nascemos e é o nosso ambiente que dá forma a quem somos e como nos comportamos.
Por isso, para que uma VERDADEIRA mudança ocorra, devemos passar menos tempo lutando contra os produtos dessa estrutura social doente e mais tempo tentando mudar as raízes do problema. Por mais difícil e intimidador que possa ser pensar dessa forma, esse é o único jeito de mudar o nosso mundo para melhor.
Nós podemos continuar a pisar nas formigas quem saem debaixo da geladeira, mas enquanto não removermos a comida estragada detrás dela, elas simplesmente não vão parar de vir de lá.
A psicologia é geralmente definida como: “ciência que trata dos processos mentais e do comportamento”.
Em nossa época, prevalecem basicamente duas escolas filosóficas. “Geneticistas” e “behavioristas”... A velha noção de “inato ou adquirido”.
Os geneticistas tendem a pensar que o comportamento humano tem origem na hereditariedade ou instinto. Nos noticiários, são comuns as reportagens que detalham como algum estudo alega ter encontrado a “predisposição genética” para “ser republicano” ou “fumar”. Isso apoia a visão de mundo de que somos de alguma forma “pré-programados” e que até nuanças sutis de comportamento, como uma inclinação ao vício, são de certo modo genéticas ou “instintivas”.
Os behavioristas, por outro lado, veem o ser humano como um produto do condicionamento, com base na exposição dessa pessoa ao ambiente. Por isso, as ações de uma pessoa têm origem na vivência ou numa corrente desencadeada de ideias, causada por uma percepção aprendida. O mecanismo de ação/crença é, portanto, originário do aprendizado, e não da hereditariedade ou instinto.
Qual ponto de vista é mais relevante? Obviamente, ambos são relevantes em certos aspectos. Nosso interesse em sobreviver e nos reproduzir é de certa forma impresso/genético, já que ele está diretamente associado à sobrevivência básica. Contudo, os meios pelos quais a sobrevivência é obtida são inteiramente baseados no condicionamento social dessa pessoa. Se uma pessoa crescer num ambiente escasso, extremamente pobre, com acesso limitado a um emprego, ela terá uma propensão maior a se envolver em atividades ilícitas para sobreviver... maior do que, digamos, uma pessoa da classe média que tenha as necessidades básicas atendidas.
No extremo oposto, se uma pessoa muito rica tiver crescido numa família elitista e estiver portanto condicionada a pensar que sua riqueza/classe serve como um símbolo de status, ela muito provavelmente irá explorar aqueles que trabalharem para ela ou praticar atividades ilícitas para agir de acordo com a identidade e arrogância social que pensa serem reais.
A conclusão é que o condicionamento do ambiente é de fato o que afeta 99% de nossas ações, e todos os estudos comportamentais diligentes provaram isso repetidas vezes.
As pessoas não se tornam alcoólatras porque têm uma predisposição genética, mas por causa da influência dos pais ou amigos. Se você abusar de uma criança, muito provavelmente ela irá crescer e abusar de outras crianças. Quando a mídia de massa promove alguma ideia na sociedade, como o “terrorismo”, o público é condicionado a acreditar que isso seja verdade e uma ameaça real, independentemente da realidade. O fato é que somos organismos emergentes e vulneráveis, sempre sofrendo influência, condicionamento e mudança até certo ponto.
Esse “ponto” é em grande medida influenciado pelas identificações sociais/ideológicas que muitos têm sido condicionados a pensar serem imutáveis. É nesse estado de consciência específico que a paralisia entra, pois não há nada na natureza que apoie a conclusão de que qualquer coisa que pensamos hoje não estará ultrapassada no futuro, já que um dos poucos padrões que podemos garantir com alguma confiança (até agora) é a realidade de que todos os elementos da natureza são emergentes. A “identificação” com percepções fixas visando a integridade pessoal é uma séria distorção em nosso mundo, porque considera-se uma “fraqueza” quando fica comprovado que uma pessoa está errada. Isso, certamente, é absurdo, pois é dessa forma que a maioria aprende e essa é uma circunstância que não deve ser temida.
A sociologia é frequentemente definida como: “o estudo da sociedade; da interação social humana”.
Este campo leva em conta estruturas sociais, tanto cognitivas quanto materiais. Um exemplo de estrutura social cognitiva é a instituição religiosa estabelecida e como seu funcionamento afeta a consciência coletiva. Por exemplo, os cristãos pró-vida compartilham uma posição segundo a qual a “vida” humana é um elemento separado da natureza e que matar um feto em gestação é errado. Ao mesmo tempo, o sistema monetário baseado em competição tem proponentes semeando ideias como a de que a competição é o estado social mais produtivo com o qual os humanos podem se envolver.
Estruturas sociais materiais, por outro lado, são muito óbvias e existem na forma de corporações e governos, cada qual tendo grande influência na sociedade. Claro, todas as estruturas sociais materiais vazam para dentro do reino cognitivo, pois há sempre uma ideologia por trás delas.
Agora, um problema sociológico comum tem a ver com a “natureza humana” e seu efeito num senso coletivo. Por exemplo, a maioria das pessoas foram ensinadas que seres humanos são naturalmente competitivos entre si, juntamente com a hipótese de que a estratificação social ou hierarquia também é uma “tendência humana natural”.
Isso é uma falácia.
Se você olhar para, digamos, uma alcateia de leões, verá na maioria dos casos hierarquia social e violenta competição por comida. Essa comparação é o que leva as pessoas a pensarem que essa é também uma ocorrência natural na sociedade humana (guerra, ganância, ego etc.). O que é negligenciado, no entanto, são as condições ambientais presentes nos dois casos. A alcateia de leões existe num mundo de escassez. Eles não possuem a capacidade de criar armadilhas para obterem comida, nem esta é acessível “por encomenda”. Têm de caçar e lutar uns contra os outros. Isso cria competição naturalmente, pois para sobreviverem, os leões PRECISAM ser agressivos uns com os outros. Em consequência, a hierarquia aumenta, pois o mais forte desses leões ganha mais do que os outros, e por sua vez exerce a sua dominância de forma estratificada.
De modo similar, na nossa atual sociedade humana acontece exatamente a mesma coisa. Os seres humanos têm vivido no mesmo tipo de escassez desde a aurora da existência. No entanto, à medida que o tempo foi passando, fomos nos tornando cada vez mais “civilizados” graças à nossa capacidade de criar. Ao contrário dos leões, os seres humanos são capazes de criar ferramentas e dar andamento a processos que os libertam de uma determinada tarefa ou problema, reduzindo a escassez.
Em face desse “lampejo” nós então vemos que, em um nível fundamental, se a escassez puder ser erradicada, o comportamento humano sofrerá uma mudança drástica, afastando-se da competição, dominância e estratificação.
De maneira semelhante, ideologias ultrapassadas que não passam pelo teste do tempo, como a religião teísta, fazem parte desse mito de que os seres humanos e a sociedade são construídos de uma maneira específica. Por exemplo, a ideologia católica afirma que os seres humanos “nascem com pecado”.
Isso é absurdo, antiquado e tem base num entendimento primitivo de comportamento humano.
Não há diferença entre o bebê Gandhi ou o bebê Hitler... É o ambiente e, por conseguinte, a sociedade que molda a pessoa (e vice-versa).
Portanto, uma verdadeira mudança sociológica virá com a remoção das condições que causam os padrões de comportamento aberrante que poluem as nossas sociedades. As prisões, a polícia e as leis são meros remendos e, na prática, tendem a piorar as coisas ao longo do tempo.
Em última análise, será necessário um replanejamento da nossa cultura a fim de mudar o comportamento humano para melhor.
Quando consideramos a relevância de nossas estruturas sociais e ideologias na sociedade, muitas vezes vemos governos, políticos e corporações como as instituições norteadoras, organizacionais e catalisadoras responsáveis pela qualidade de nossas vidas. Isso é, certamente, verdade… mas só até certo ponto. Com o passar do tempo, os seres humanos se tornaram cada vez mais conscientes da natureza, seus processos, e assim foram capazes de deduzir como imitá-la em toda a sua glória criativa.
O resultado tem sido a tecnologia, que é o que separa a nós humanos das outras espécies no que tange funcionalidade. Nós temos a habilidade de criar de inúmeras maneiras. Se não quisermos limpar os esgotos, podemos inventar uma máquina que faça isso para nós.
No início da Era Industrial, a grande maioria das pessoas trabalhava em fábricas. Hoje, a automação compreende 90% de quase todas as fábricas. Isso tomou o lugar dos seres humanos e criou uma indústria de prestação de “serviços” ampla e artificial a fim de mantê-los empregados para ganhar dinheiro.
Esse padrão é muito revelador. Isso implica que a mecanização está constantemente desafiando o papel da mão-de-obra não-especializada. Isso não significa que os seres humanos não terão “nada para fazer” com o passar do tempo. Muito pelo contrário… marca a libertação da humanidade de trabalhos desinteressantes aos seres humanos, de modo que eles terão tempo para ir atrás daquilo que escolherem. À parte disso, é importante lembrar que a sociedade hoje assume uma postura muito negativa a respeito da humanidade, retendo a crença de que se um ser humano não fosse “requerido” para fazer alguma coisa, ele iria apenas ficar à toa, vadiar e não fazer nada. Essa é uma propaganda absurda.
A noção de “lazer” é uma invenção monetária, criada em decorrência da base opressiva e fascista da própria instituição empregadora. A preguiça é, na realidade, uma forma de rejeição ao sistema. É uma qualidade que só existe por causa da opressão e da servidão obrigatória.
Numa verdadeira sociedade, não haveria essa separação entre “trabalho” e “lazer”, pois os seres humanos devem ter a liberdade de ir atrás do que quer que eles sentirem ser relevante. Colocando de outra maneira, considere a curiosidade e o interesse de uma criança. Ela nem sequer sabe o que é dinheiro... Ela precisa ser motivada pelo dinheiro para sair por aí e explorar/criar? Não. Ela tem interesses pessoais e os perseguem sem nenhuma recompensa. Na verdade, os maiores contribuintes à nossa sociedade, como Einstein, Newton ou Galileu, fizeram o que fizeram sem nenhum interesse no dinheiro. Eles o fizeram porque quiseram. O ato de fazer e contribuir foi recompensa deles.
O ponto aqui é que o dinheiro não é um incentivo verdadeiro para nada, e pensar que sim seria assumir que os seres humanos são inerentemente preguiçosos e corruptos. Preguiça e corrupção são produtos do condicionamento que o nosso sistema social cria.
Voltando agora à tecnologia, notamos que a nossa qualidade de vida, no que tange funcionalidade, tem sido consideravelmente elevada pelos benefícios das ferramentas tecnológicas que criamos. De um cortador de grama a um marca-passo, a tecnologia salva vidas e diminui a quantidade de tempo que precisamos gastar em atividades mundanas, difíceis ou perigosas. Aliás, se você parar para pensar bem, fica claro que o desenvolvimento tecnológico é a instituição mais importante de que dispomos, e a busca por tecnologias socialmente úteis (não armas) deve ser a prioridade número um da cultura.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento tecnológico é ocasionado por uma linha de pensamento particular, ou processo… isso pode ser chamado de “método cientifico”. Carl Sagan disse uma vez algo no sentido de: “A sociedade se aproveita das dádivas da ciência, mas rejeita os seus métodos”.
Isso é uma grande verdade da era moderna, pois o que o publico fracassa em compreender é que a ciência não é somente uma ferramenta… ela tem uma utilidade quase universal que pode ser aplicada à sociedade de maneiras que muitos nem imaginariam.
Parece óbvio que a tecnologia melhora as nossas vidas e funciona como a maior libertadora da vida humana no reino material… Por que então seus métodos não são aplicados à sociedade como um todo?
Obviamente, o método científico é usado constantemente em sistemas isolados, mas nunca foi realmente considerado nas formas mais amplas . Isso se deve em grande parte às velhas superstições que lutam contra a lógica da ciência em favor de uma visão de mundo dogmática, atrasada e altamente romantizada.
Se tivéssemos a opção de reconstruir a sociedade do zero, como o faríamos para que seja o mais eficiente, sustentável e humano? Essa é a nossa perspectiva. Obviamente, não podemos construir uma sociedade do zero, mas o ponto está claro. É hora de pararmos de pensar sobre as preocupações e limitações monetárias, e começarmos nas possibilidades que temos aqui na Terra no sentido mais amplo.
É esse o interesse que criou o conceito de uma “economia baseada em recursos”. O Projeto Venus tem trabalhado nesse conceito por muito tempo e a sua base é muito simples. Nós sobrevivemos, preservamos e maximizamos o uso dos recursos planetários em conjunção com informações livres e desenvolvimento tecnológico.
Nessa visão, pouco é deixado para interpretações subjetivas, já que é uma estratégia obtida cientificamente para a construção social em seu cerne. A partir daí, os parâmetros científicos se desenvolvem sozinhos de acordo com as possibilidades.
Quando pensamos em sustentabilidade, é comum nos vir à mente durabilidade, longevidade e respeito ambiental. Em geral, uma prática sustentável é aquela que leva a saúde do futuro em consideração. No entanto, essa ideia não se restringe somente ao mundo físico/material – ela também se aplica ao pensamento, à crença, à conduta humana e à sociedade como um todo.
Uma prática insustentável é aquela que tem um efeito desequilibrado e negativo que, com o tempo, irá afetar desfavoravelmente uma pessoa, a sociedade e/ou o meio ambiente. Um caso clássico é a nossa atual utilização do petróleo como um meio de geração de energia. Isso poderia ser considerado insustentável pelo fato de o petróleo ser essencialmente não renovável e, quando queimado, causa danos ao meio ambiente. Qualquer prática que provoque um esgotamento irreversível dos recursos naturais ou poluição ambiental de longo prazo é uma prática insustentável.
Do mesmo modo, se uma determinada empresa despeja grandes quantidades de resíduos industriais durante a produção poluindo o meio ambiente, isso também seria considerado uma prática insustentável, independentemente do que está sendo produzido.
De forma semelhante, se os materiais ou o conhecimento utilizados na produção de um determinado tipo de produto não são da mais alta qualidade conhecida, muito frequentemente a integridade desse produto é inerentemente comprometida, levando à eventual criação de mais lixo quando esse produto falha ou se torna obsoleto. Com o nosso sistema atual de busca pelo lucro, quase tudo que é produzido o é com uma fraqueza embutida, devido à necessidade de manter a quota de mercado. Em outras palavras, se duas empresas estão competindo para criar um determinado item, ambas terão de ser estratégicas quanto aos materiais e designs usados, muitas vezes comprometendo a qualidade em prol de um preço mais acessível. O resultado é um produto que quebra muito mais depressa do que um produto que recebeu o maior cuidado e a mais alta qualidade nos materiais de seus componentes.
Isso não acontece no nosso sistema por dois motivos: 1) Quando uma empresa utiliza o modelo mais avançado e os melhores materiais conhecidos, ela tende a ter um custo de produção muito mais elevado e a perder vantagem sobre a concorrência. 2) Se os produtos forem feitos para durarem por longos períodos de tempo, as pessoas não precisarão substituir, atualizar e consertar os seus artigos constantemente, e a indústria como um todo perderá uma enorme soma de dinheiro e de postos de trabalho, atrasando a economia.
Isso, obviamente, é insustentável por definição, uma vez que a ineficiência inerente do sistema econômico eventualmente cria multiplicidade, desperdício e poluição desnecessários.
E isso nos leva a ideologias insustentáveis.
Uma ideologia é insustentável quando inerentemente leva uma pessoa ou um grupo a práticas insustentáveis. Por exemplo, o que leva uma indústria a utilizar materiais de má qualidade para criar produtos insustentáveis, ao mesmo tempo em que gera uma quantidade desproporcional de lixo, é de fato o resultado de uma força maior, conhecida como “sistema monetário” ou “sistema de busca pelo lucro”. Nesse sistema, a sustentabilidade não é recompensada, pois ele é construído em cima de competição e regeneração. Em tal circunstância, o lucro sempre vem na frente da sustentabilidade, já que a sobrevivência de uma empresa é baseada no lucro, e este é parcialmente baseado em redução dos custos e na ampliação da receita. Portanto, as práticas insustentáveis existentes em todas as indústrias são o resultado de uma falha fundamental na própria estrutura econômica ideológica.
Teoricamente, a maioria concordaria que possuir recursos em abundância, além de produtos feitos dos mais resistentes materiais para a máxima eficiência e sustentabilidade, seria bom. No entanto, estas noções não são recompensadas no nosso atual sistema monetário mundial. A escassez é que é recompensada. Ela e a obsolescência planejada são recompensadas a curto prazo, visto que cria um “reviravolta” nos lucros, ao mesmo tempo em que gera mais empregos. Infelizmente, essa “recompensa a curto prazo” é à custa da “destruição a longo prazo”.
O sistema de livre iniciativa, juntamente com todos os outros subgrupos, como o comunismo, o socialismo e o fascismo, são ideologias insustentáveis, pois têm encravada em si uma propensão para o abuso ambiental e social. Para por de uma forma mais clara, um mundo que compete consigo mesmo por trabalho, recursos e sobrevivência é um sistema inerentemente insustentável, porque é desprovido de uma consciência externa.
O que então é uma ideologia sustentável?
Embora esta questão irá sempre trazer novas respostas conforme a evolução humana continua, atualmente temos um conceito chamado método científico. Basicamente, o método científico é um processo de investigação que, através dos mais modernos métodos de aprendizagem, medição, análise e experimentação, trabalha para demonstrar a validade de uma determinada interpretação ou a possível resolução de um determinado problema.
Um exemplo seria um problema num carro. Quando o seu carro não dá a partida, você dá início a um raciocínio, baseada na lógica, para encontrar a origem do problema. A lógica orienta o seu foco, começando provavelmente pela quantidade de combustível no carro, passando para o mecanismo de ignição e assim por diante. Isto é o método científico aplicado na resolução de problemas. Um método não científico cairia na categoria de “irracional”. Por exemplo, ao analisar o mesmo problema, seria irracional começar checando os pneus, pois eles provavelmente não teriam nada a ver com os mecanismos associados ao problema.
Infelizmente, a nossa abordagem de operação social é em grande medida desprovida de lógica ou metodologia, mas sim imersa na tradição, na superstição e em métodos ultrapassados de conduta. Uma abordagem científica para a sociedade, usando a lógica e a razão para avaliar e responder aos problemas sociais teria uma tendência natural à sustentabilidade, uma vez que nada pode ser isolado ou separado em tal abordagem. Em outras palavras, temos de parar de ver o mundo através dos prismas de sistemas e ideologias criados no passado, e começar a olhar para ele na forma mais ampla e imparcial que podemos. O único meio que apoia esta abordagem é a ciência, e as dádivas da ciência provaram a sua validade sem deixar nenhuma dúvida. Por isso, é tempo de utilizar os métodos da ciência na nossa abordagem à sociedade em si.
Um rápido olhar sobre os modos de operação em uso no mundo de hoje reflete uma negligência grosseira da razão, da lógica e da aplicação científica. Nossas estruturas econômicas são baseadas em meios de troca e em valores que têm pouca relação com os verdadeiros recursos e com a realidade. A religião continua a pregar visões de mundo há muito superadas pelo pensamento científico progressivo. Nosso sistema de trabalho está estruturado de maneira a exigir que as pessoas estejam “empregadas” para que possam ganhar dinheiro para sobreviver, quando a real contribuição dessas ocupações à sociedade são altamente questionáveis, mostrando que os “empregos” muitas vezes só existem para manter as pessoas fazendo “alguma coisa” para viver e sustentar a estrutura econômica. Isso é um desperdício de vida humana...
Existem muitas, muitas facetas para o compreensão de que as nossas instituições sociais vigentes são insustentáveis. Para resumir a questão, a nossa vida no planeta Terra deve ter uma premissa fundamental com a qual as nossas ações se relacionem. Esta premissa deve ser tão empírica quanto possível, e não baseada em opiniões ou de projeções. A partir de uma perspectiva científica, vemos que os recursos e a engenhosidade humana são as questões iminentes mais valiosas. A inteligência e a consciência humanas, juntamente com a gestão e utilização cuidadosas dos recursos terrestres, são de fato as duas únicas questões centrais. Tudo o mais é construído em cima disso. Portanto, precisamos dar início uma abordagem que maximize a educação, a tecnologia e o gerenciamento dos recursos.
Até que isso seja feito, a sustentabilidade estará comprometida. Este é o objetivo do Projeto Venus e do Movimento Zeitgeist.
A espiritualidade parece ter diferentes significados para cada um de nós. Uma definição padrão seria: “senso de significado e propósito; senso de si próprio e de uma relação com ‘aquilo que é maior do que si próprio’”.
Atualmente, parece que a religião e o misticismo têm o monopólio da espiritualidade. As religiões teístas muitas vezes consideram uma “relação com Deus” ou criador divino como uma relação espiritual, ao passo que os místicos irão frequentemente considerar uma relação com uma força ou poder “sobrenatural”. A conclusão é que, quase universalmente, a espiritualidade tem a ver com uma “relação” em um nível ou outro. Na maioria das perspectivas, ela é associada ao “lugar” ou “sentido” que alguém atribui à vida... o que quer que isso possa ser.
Por mais subjetivas que essas coisas possam ser, nós começamos a reconhecer mudanças nessas noções, pois o progresso social tende a abrir caminho para compreensões que resistem ao teste do tempo. Na era moderna, temos o poder de explorar a fundo o nosso passado, examinar o que os nossos ancestrais costumavam considerar “real”, e então comparar essas ideias com o que compreendemos hoje. Muitas “práticas espirituais” do passado deixaram de existir com o surgimento de compreensões dos fenômenos naturais. Um simples exemplo: as religiões primitivas muitas vezes “sacrificavam” animais para certos propósitos... Isso raramente acontece hoje, uma vez comprovada a irrelevância de tal ato na obtenção do efeito desejado. Da mesma forma, as pessoas raramente praticam “danças da chuva” a fim de influenciarem o clima... Hoje compreendemos como os padrões climáticos são criados, e a prática de rituais não tem nenhum efeito comprovável.
De modo parecido, foi também estatisticamente demonstrado que a ideia de “rezar” a Deus pedindo por algo em particular tem pouco efeito no resultado, sem falar na inexistência de evidências que apoiem de alguma forma científica a existência de um criador personificado... Antes, elas muitas vezes têm origem em especulações literárias históricas e nas tradições.
As religiões instituídas parecem estar sob vários aspectos enraizadas em percepções errôneas dos processos biológicos. Por exemplo, elas apresentam visões de mundo que muitas vezes colocam o ser humano num patamar diferente dos outros elementos da natureza. Esse “ego espiritual” tem levado a conflitos dramáticos geração após geração, não só entre os seres humanos, como também, inadvertidamente, entre nós e o próprio meio ambiente.
Todavia, com o passar do tempo, a ciência nos mostrou como os seres humanos estão sujeitos às mesmíssimas forças da natureza tal como todo o resto. Nós aprendemos que compartilhamos das mesmas subestruturas atômicas das árvores, dos pássaros de e todas as outras formas de vida. Aprendemos que não podemos viver sem os elementos da natureza... Precisamos de ar puro para respirar, alimento para comer, energia do sol, etc. Quando compreendemos essa relação simbiótica de vida, começamos a entender que, em se tratando de “relações”, a nossa com o planeta é a mais profunda e importante. O meio pelo qual isso se manifesta é a ciência, já que o método científico nos permitiu ver através dos processos naturais, de modo que possamos entender melhor como “nos encaixamos” nesse biossistema como um todo.
Isso pode ser considerado um despertar “espiritual”.
Essa compreensão, que a ciência já comprovou, implica que os humanos não são diferentes de nenhuma outra forma da natureza e que a nossa integridade só é tão boa quanto a integridade do ambiente do qual fazemos parte. Essa percepção apresenta uma visão de mundo “espiritual” totalmente diferente, pois força a ideia de interdependência e conexão, em seu cerne.
A interconexão de todas as formas de vida é indiscutível no sentido mais fundamental, e é essa “relação” perpétua de total interconectividade que não é totalmente compreendida pela sociedade de um modo geral. Assim, nossos modos de conduta e percepção estão largamente desalinhados com a natureza em si... o que os torna destrutivos.
A própria natureza é a nossa mestra, e as nossas instituições sociais e filosofias deveriam ser extraídas dessa compreensão fundacional e, invariavelmente, “espiritual”.
Quanto mais rápido esse despertar espiritual se espalhar, mais sã, pacífica e produtiva se tornará a nossa sociedade.

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