Traduzido a partir do site do Projeto Venus
Com o advento de futuros desenvolvimentos em ciência e tecnologia, nós iremos delegar a tomada de decisão cada vez mais para as máquinas. No presente, isto é evidente em sistemas militares no quais sensores eletrônicos mantêm as características ideais de vôo em aviões avançados. As capacidades dos computadores hoje excedem quinhentos trilhões de bits de informação por segundo. A complexidade da civilização hoje é complicada demais para sistemas humanos gerenciar sem a assistência de computadores eletrônicos. Os computadores de hoje são relativamente primitivos comparados com aqueles que irão desenvolver no futuro. Eventualmente a gestão de sistemas sociais será chamada para exigir sensores eletrônicos interligados com todas as fases da sequência social eliminando assim a necessidade de políticas.
Hoje, as instalações fabris modernas têm construído sistemas automáticos de inventário, que ordenam materiais, tais como rolamentos e outras substituições mecânicas, com bastante antecedência.
Nós acreditamos que agora é possível alcançar uma sociedade onde as pessoas serão capazes de viver mais, com mais saúde, e com uma vida produtiva mais significativa. Em tal sociedade, a medida de sucesso será baseada acerca da realização pessoal de alguém em vez de aquisição de riqueza, propriedade e poder. Apesar de muitos dos conceitos apresentados aqui poderão parecer como metas inatingíveis, todas as ideias são baseadas acerca de princípios científicos conhecidos. Não é meu propósito escrever um artigo que seria aceitável para as pessoas, não é esta a preocupação da ciência.
A direção social sendo proposta aqui não tem paralelo na história com nenhuma outra ideologia política ou estratégia econômica anterior. Estabelecer os parâmetros desta nova civilização exigirá transcender muitos das tradições, valores, e métodos do passado. O futuro irá desenvolver seus próprios novos paradigmas, apropriado para cada sucessiva fase do desenvolvimento humano e tecnológico.
Ao longo da história da civilização poucos líderes nacionais ou políticos já propuseram um plano global para melhorar a vida d todas as pessoas sob sua jurisdição. Embora tais indivíduos como Platão, Edward Bellamy, H.G. Wells, Karl Marx, e Howard Scott, todos fizeram algumas tentativas de apresentar uma nova civilização, a ordem social estabelecida os considerou sonhos impraticáveis com modelos Utópicos que vão contra aos elementos inatos da natureza humana. Ordenado contra estes pioneiros sociais estava um formidável status quo composto de interesses que estavam confortáveis com a forma como as coisas estavam e uma população em geral que, através de anos de doutrinação e condicionamento, não desejavam nenhuma mudança radical. Estes foram os milhões de guardiões indiretos do status quo. As perspectivas e filosofia dos líderes foram consistentes com as suas posições de vantagem diferencial.
Em 1898, Edward Bellamy escreveu o livro Looking Backward. Ele concebeu um ideal igualitário do sistema social com muitas idéias avançadas para o seu tempo. Este best-seller gerou um grande interesse, e muitas pessoas perguntaram sobre como este tipo de sociedade cooperativa Utópica poderia ser trazido à tona. Mas Bellamy respondeu que ele era apenas um escritor e não sabia como criar tal sociedade.
As propostas que apresentou, e aquelas de A República de Platão, os escritos de Karl Marx, H. G. Wells no seu livro The Shape of Things to Come, e muitos outros, todos representam tentativas para encontrar soluções viáveis para os muitos problemas que civilizações anteriores não foram capazes de resolver. Há pouca dúvida de que no tempo dos livros de Bellamy as condições sociais eram abomináveis, o que fez do ideal Utópico extremamente apelativo. O que parece estar faltando na maioria destes conceitos, entretanto, foram um plano global e os métodos necessários para um sistema transacional para permitir a ideia se tornar realidade. A maior parte das primeiras visões de um mundo melhor não permitiu mudanças em qualquer tecnologia ou valores humanos, tendendo a impedir esforços inovadores. Além disso, todos têm faltado um conjunto abrangente de esquemas, modelos, e uma metodologia para implantação. Finalmente, eles não dispunham indivíduos competentes para fazer essa transição.
As respostas não se encontram em debate ou discussão filosófica de valores, mas sim na metodologia. Deste modo, o que é necessário é uma definição operacional de um mundo melhor, tal como segue: Maximizar constantemente tecnologias existentes e futuras com o único objetivo de reforçar toda a vida humana e proteger o ambiente.
Hoje temos desenvolvido a tecnologia necessária para superar as mais apaixonadas esperanças e sonhos de qualquer inovador social do passado. O fato de tentativas anteriores de mudança social ter falhado não é justificativa para nós pararmos de tentar. O verdadeiro perigo reside na complacência. A única limitação para o futuro da humanidade são aqueles que impomos a nós mesmos. Agora é possível aliviar a Humanidade de muitos dos seus problemas não resolvidos através da humana aplicação da tecnologia.
Há muitos anos, foi feita uma tentativa nos Estados Unidos para compreender um sistema econômico e social diferente do nosso. Um filme chamado "The March of Time" tinha isto a dizer sobre o comunismo soviético: "Nós acreditamos que o sistema de livre iniciativa americano irá funcionar melhor que o sistema coletivo. Entretanto, lhes desejamos a melhor sorte em seu novo e inusitado experimento social." O fracasso do comunismo em prover as necessidades humanas e em enriquecer as vidas dos seus cidadãos não é diferente das nossas próprias falhas. Tanto falhas quanto sucessos são inerentes à experiência em curso que é a evolução social. Em todos os sistemas sociais instituídos é necessário conceber abordagens diferentes para melhorar o funcionamento do sistema.
A ciência está repleta de exemplos de experiências que falharam bem como aquelas que foram bem sucedidos. No desenvolvimento do avião, por exemplo, houve milhares de fracassos antes que o primeiro modelo viável foi produzido. No campo da medicina, Dr. Erlich tentou mais de 600 abordagens diferentes para controlar a sífilis antes que uma foi finalmente comprovada como bem sucedida. Toda a tecnologia que usamos hoje, tais como computadores, telefone celular, a internet, aviões, e automóveis, estão em um estado constante de melhorias e modificações. Mas o nosso sistema social e os valores continuam amplamente estáticos. Uma inscrição em um de nossos prédios governamentais diz o seguinte: "Onde não há visão, o povo perece." Atingir visões exige mudança. A principal razão para a resistência à mudança é que ele tende a ameaçar os interesses estabelecidos. Na verdade, o medo da mudança social é um pouco infundada se considerarmos que toda a história da civilização tem sido, em um sentido, um experimento. Até o sistema de livre iniciativa americano, durante suas primeiras fases, enfrentou uma série de problemas muito mais graves do que são hoje. Isso incluía longa horas de trabalho, exploração do trabalho infantil, ventilação inadequada em instalações fabris, a falta de direitos para as mulheres e as minorias, condições perigosas em minas, e preconceito racial. Apesar dos seus muitos problemas, era o maior experimento social da história em termos de diversidade de estilos de vida e as liberdades individuais, inovações em arquitetura e tecnologia, e progresso global em geral. É imperativo que continuemos o processo de experimentação social, a fim de transcender nossas atuais limitações e melhorar a vida de todos.
O futuro não depende de nossas crenças de hoje ou costumes sociais, mas continuará a evoluir a um conjunto de valores exclusivos para o seu próprio tempo. Não existem "Utopias". A própria noção de "Utopia" é estática. No entanto, a sobrevivência de qualquer sistema social, em última análise, depende da sua capacidade para permitir a mudança adequada para melhorar a sociedade como um todo. Os caminhos que iremos escolher irão enfim determinar ou não se há vida inteligente na Terra.
Tem se observado regularmente que crises comuns criam laços comuns. Enquanto as pessoas buscam vantagem durante os tempos de prosperidade, o sofrimento compartilhado tende a atrair as pessoas para perto um do outro. Vimos este comportamento repetido inúmeras vezes ao longo dos séculos, durante períodos de inundações, fome, fogo ou outras catástrofes naturais. Uma vez que a ameaça é resolvida, no entanto, os padrões de escassez mais uma vez começam a encaminhar as pessoas para os seus comportamentos de busca por vantagem individual. Filmes sensacionalistas como Independence Day retratam o mundo unido com a proposta de uma invasão de uma hostil cultura alienígena. Na verdade, parece que a única força que poderia mobilizar o mundo em uma direção unificada seria uma que representa uma ameaça comum, tal como um colossal meteoro lançando-se contra a Terra, ou algum outro grande evento catastrófico. Se viesse a ocorrer tal evento, todos os litígios fronteiriços se tornariam irrelevante face à iminente catástrofe. Embora muitos clamariam por intervenção divina para a salvação, todas as nações certamente conjugariam os seus esforços e apelariam a ciência e tecnologia para lidar com esta ameaça comum. Banqueiros, advogados, empresários e políticos seriam inúteis. Todos os recursos seriam aproveitados e mobilizados, sem qualquer preocupação de custo ou lucro monetário. Sob este tipo de condição ameaçadora, muitas pessoas perceberiam onde estava a chave para sua sobrevivência. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, foi a mobilização coletiva de ambos os recursos humanos e materiais que levaram a uma resolução bem sucedida para os EUA e seus aliados.
Com o crescimento do amontoado de informação cientificas, nações e pessoas estão começando a perceber que mesmo no mundo dividido de hoje há, de fato, muito aspectos comuns que transcendem limites nacionais. Estes incluem superpopulação, racionamento de energia, poluição,racionamento de água, catástrofe econômica,a disseminação de doenças incontroláveis e assim por diante.Entretanto, mesmo diante de problemas dessa magnitude, que são comuns a todas as nações,a direção da ação humana não será alterada enquanto as nações poderosas forem capazes de manter controle dos limitados recursos disponíveis.
Apesar de muitas pessoas, publicações, e apresentações de multimídia retratam vários aspectos do futuro e pintam figuras espetaculares do desenvolvimento a vir em áreas como transporte, casa, e medicina, eles ignoram o fato que em uma economia monetária o verdadeiro benefício desses avanços continuarão a ser disponíveis para apenas uns poucos. O que não é abordado é como essas novas tecnologias no futuro possam ser usadas para organizar sociedades e economias eficientemente e equitativamente, sem a necessidade de uniformidade, então que todos irão se beneficiar delas. Os poucos pensadores devotados a raciocinar novas abordagens para trazer organização social ao mesmo nível das capacidades tecnológicas de hoje não lidam com a mudança social como um plano de sistemas globais.
Tampouco há quaisquer planos sociais globais em governos ou industriais para eliminar totalmente os efeitos negativos da substituição das pessoas por máquinas, nem parece ter havido uma verdadeira preocupação para fazê-lo. Muitas pessoas acreditam que em caso de colapso social o governo trará as mudanças necessárias para a sobrevivência. Isso é altamente improvável. Em caso de tal colapso o governo existente provavelmente iria declarar estado de emergência em uma tentativa de prever um caos total. Iria então instituir medidas que tratariam os problemas de imediato, ao mesmo tempo tentando preservar as instituições existentes e estruturas de poder, mesmo estes sendo o principal fator para os problemas.
Muitas pessoas têm, através da história, criticado os políticos por ações que não foram inteiramente do maior interesse da sociedade. A razão para isso torna-se mais clara quando se percebe que, mesmo em democracias modernas, esses líderes não beneficiam as vidas de pessoas comuns. Antes, mantêm as posições preferenciais de grande parte da ordem estabelecida. Há indícios crescentes de consciência por parte das pessoas em muitas regiões do mundo de que os eventos tenham fugido ao controle de seus líderes políticos. Por toda parte, vemos figuras políticas e partidos indo e vindo, estratégias políticas adotadas e descartadas pela sua incapacidade de satisfazer as exigências de uma ou de outra facção.
A razão pela qual nós não sugerimos escrever para o seu político, ou qualquer um de agências governamentais, é que eles não têm o conhecimento necessário para lidar com nossos problemas. Seu foco é preservar os sistemas existentes, e não mudá-los. Parece que há poucos dentro das sociedades de hoje que querem remove-los. Em sociedades industriais modernas a causa da inércia se situa dentro do complexo processo político em si, um anacronismo numa era quando a maioria das decisões pode ser feita sobre qualquer questão importante em questão de segundos pela inserção objetiva de dados relevantes em computadores.
As condições primárias que iriam resultar em reais mudanças sociais viriam quando as condições tivessem deteriorado a tal ponto que governos, políticos, e instituições sociais não mais tiverem o apoio e confiança das pessoas. O que funcionou uma vez é reconhecido não ser mais relevante. Se as pessoas fossem mais bem informadas, só assim seria possível introduzir uma nova e melhorada organização social.
Infelizmente, Hoje a maioria das pessoas responde por soluções simples, que tende a repetir o ciclo de eventos. Quando confrontada com intoleráveis condições sociais, muitos dos antigos padrões iriam surgir novamente já que as pessoas tentam encontrar alguém ou alguma coisa para culpar pelas condições, por exemplo, minorias, imigrantes, negligência em aderir a princípios religiosos ou valores familiares, e as influências de algumas forças sobrenaturais inexplicáveis.
A verdadeira mudança social não é provocada por homens e mulheres de boa vontade e razão em um nível pessoal. A noção de que um pode sentar e conversar com pessoas e alterar os seus valores é altamente improvável. Se a pessoa com quem se fala não tem os conhecimentos fundamentais do funcionamento dos princípios científicos e os processos das leis naturais, é difícil para eles compreender a forma como as peças se encaixam em um nível holístico.
As soluções para os nossos problemas não virão através da aplicação da razão ou lógica. Infelizmente, neste momento, nós não vivemos em um mundo razoável nem lógico. Parece não haver nenhum registro histórico de qualquer líder social estabelecido que de forma deliberada e abrangente redesenhasse a cultura para se ajustar aos tempos de mudanças. Embora não haja dúvida de que os líderes políticos, de forma limitada, modificar alguns modos de comportamento os fatores reais responsáveis pela mudança social são trazidos pelas pressões bio-sociais, que são inerentes a todos os sistemas sociais. A mudança é provocada por ocorrências naturais ou econômicas que afetam negativamente as circunstâncias imediatas de um grande número de pessoas.
Algumas pressões bio-sociais responsáveis pela mudança social são limitados recursos, guerra, superpopulação, epidemias, desastres naturais, recessão econômica, downsizing em larga escala, substituição do homem pela máquina, e a falha de oficiais eleitos para superar tais problemas. A introdução do dinheiro como meio para o processo de intercambio trouxe uma significante mudança para a sociedade, como fez a introdução da agricultura mecânica e a revolução industrial.
Infelizmente, a antiquada ordem social, política e internacional do mundo não mais é apropriada a este tempo. Estas instituições sociais obsoletas são incapazes de apreender a significância da inovativa tecnologia para alcançar os maiores benefícios para todas as pessoas, e para superar as inequidades forçadas sobre muitos. Competição e escassez têm causado uma atmosfera de inveja e desconfiança a desenvolver-se entre indivíduos e das nações. Os conceitos de direito de propriedade, propriedade intelectual, direitos autorais, e patentes manifestada em entidades corporativas e na soberania das nações, impede a livre troca de informações que é necessária para resolver os desafios globais. A união européia uma tentativa de ligar o presente com o futuro, mas ainda falha por depender do suporte do sistema monetário.
Nós não podemos voltar a valores tradicionais, que não mais se aplicam. Qualquer tentativa de volta aos métodos do passado iria condenar incontáveis milhões a uma vida de miséria desnecessária, labor e sofrimento.
Entretanto, isso não é suficiente para apontar os fatores limitantes que podem ameaçar a sobrevivência de todas as nações. O desafio que todas as culturas irão encontrar nesta era tecnológica – alguns mais do que outros – é a de proporcionar uma transição mais suave, que introduziria uma forma mais adequada sobre nós mesmos, o meio ambiente e da gestão dos assuntos humanos.
A sobrevivência definitiva da espécie humana depende de um planejamento em escala global e de cooperativamente buscar novas alternativas com uma orientação relativa para melhores arranjos sociais. Se a Humanidade é para atingir prosperidade mutua, acesso universal aos recursos é essencial.
Junto com a introdução de novos paradigmas preocupados com o aspecto humano e ambiental, deve haver uma metodologia para tornar isso realidade. Se estes fins são para ser atingidos, o sistema monetário deve ser eventualmente superado por uma economia baseada em recursos mundial. Para utilizar os recursos economicamente e efetivamente, a necessária computadorizada e cibernética tecnologia poderia ser eventualmente ser aplicada para garantir um alto padrão de vida para todos. Com a aplicação inteligente e humana da Ciência e tecnologia, as nações do mundo poderiam guiar e moldar o futuro para a preservação do meio-ambiente e da Humanidade.
O que é preciso para atingir uma sociedade global é um pratico e internacionalmente aceitável plano detalhado. Além disso, é necessário um conselho de planejamento internacional capaz de traduzir o plano e as vantagens que iriam ser ganhas através da unificação mundial. Estas propostas poderiam ser apresentadas no vernáculo, de uma maneira em que pessoas não-técnicas poderiam facilmente entender.
Na realidade, ninguém deveria decidir como esse plano será projetado. Isso deve ser baseado na capacidade de suporte da Terra, seus recursos, necessidades humanas e afins. A fim de sustentar nossa civilização nós temos que coordenar tecnologias avançadas e recursos disponíveis em uma abordagem sistêmica global, total e humano.
Não há duvida de que muitas das profissões que hoje nos são familiares, serão eventualmente eliminadas. No ritmo das mudanças agora em curso, uma boa porção de ocupações obsoletas irão desaparecer mais rápido e mais extensivamente do que em qualquer outro período da historia. Em uma sociedade que aplica uma abordagem sistêmica, essas profissões serão substituídas por times interdisciplinares – os analistas de sistema, programadores de computador, pesquisadores operacionais, e aqueles que conectam o mundo em uma vasta rede de comunicações auxiliados por computadores digitais de alta velocidade. Eles irão eventualmente nos guiar a métodos de operação social computadorizados de larga escala. Operações sociais são complexas demais hoje em dia para qualquer político eleito conseguir lidar.
Parece que a maioria dos políticos não dá a devida atenção a este e outros problemas. Apenas em tempos de guerra ou em emergências nacionais nós convocamos e reunimos times interdisciplinares para ajudar a encontrar soluções exequíveis para diversos problemas sociais. Se nós aplicarmos os mesmos esforços de mobilização cientifica como fazemos durante uma guerra, efeitos benéficos de larga escala poderão ser atingidos em um tempo relativamente curto. Isso poderia ser prontamente realizado pela utilização de muitas de nossas universidades, campos de treinamento e equipes para melhor determinar possíveis métodos alternativos para resolver esses problemas. Isso poderia eventualmente nos ajudar a definir possíveis parâmetros transicionais para o futuro de uma civilização global sustentável.
O processo de mudança social deve levar em conta a mudança das condições que poderão continuamente atualizar os parâmetros de design e considerar a infusão de novas tecnologias em culturas emergentes. Times de designers utilizando computadores socialmente integrados poderiam ser automaticamente informados de novos avanços. Como esse processo é continuamente atualizado, ele geraria um código de conduta mais apropriado. Por conduta apropriada, nós nos referimos aos procedimentos necessários para realizar uma determinada tarefa.
Todas as limitações impostas sobre nós pelo nosso atual sistema monetário poderiam ser superados por adotar um consenso global para uma economia baseada em recursos global, no qual todos os recursos do planeta serão vistos e tratados como uma Herança Comum para todos os habitantes da Terra. Desta maneira, a Terra e nossos procedimentos tecnológicos poderiam nos prover com suprimentos ilimitados de bens materiais e serviços sem a criação de dividas ou tributação qualquer.
Embora anunciantes experientes nos façam acreditar no contrário, nas economias monetárias de hoje, sempre que novas tecnologias são introduzidas, suas conseqüências para a sociedade passam despercebidas pelos seus inventores - exceto, é claro, como consumidores. Em um sistema monetário a maior preocupação das indústrias é o lucro, que cria uma margem de competição, e tendo esta preocupação como a principal, o bem estar da humanidade é deixado para trás. Os problemas sociais que surgem do desemprego em massa das pessoas, que são feitas obsoletas pela infusão da automação, são considerados irrelevantes, se é que eles são considerados. Qualquer necessidade encontrada é considerada secundária quando comparada com a necessidade do lucro dos negócios. Se o lucro é insuficiente, o serviço será fechado. O que a indústria persegue é o aumento da margem competitiva, que aumenta a margem de lucro dos seus acionistas. Não corresponde ao interesse de uma sociedade baseada em um sistema monetário, desenvolver a produção de bens e serviços para melhorar a vida das pessoas. Com o crescente público se conscientizando sobre o efeito estufa, chuva ácida, ar e água poluídos, etc. algumas companhias estão começando a perceber que para o mercado sustentável permanecer, eles tem que voltar sua atenção para as questões sociais e ambientais. Enquanto tal inclinação é recomendável, elas são insuficientes como um método para resolver os grandes problemas de desperdícios, degradação ambiental e sofrimento humano desnecessário.
O sistema monetário tem sido útil, mas como uma ferramenta temporária, que entrou em cena como um meio de estabelecer valores para objetos ou trabalhos escassos. O sistema monetário, com certeza substituiu o sistema de trocas, que envolvia a troca direta de objetos e trabalhos. Entretanto, assim como não havia um padrão universal de troca no passado, também não existe um sistema monetário global atualmente. Entretanto, indivíduos e grupos, agora como no passado, ainda precisam trocar objetos e trabalhos pelos bens e serviços de hoje em dia. A distribuição desigual de habilidades, recursos e materiais por todo o mundo cria a necessidade de trocas globais.
Até as últimas décadas, o sistema monetário funcionou até certo ponto. A população global de 3 bilhões não estava extinguindo os recursos e energias do planeta, o aquecimento global não era evidente, a poluição do ar e da água eram somente de conhecimento de uma minoria. Entretanto, o começo do século XXI trouxe consigo uma população em um crescimento exponencial de 6 bilhões, com o suprimento de recursos e energia diminuindo, o aquecimento global como uma realidade, e uma evidente poluição mundial. O planeta Terra está em crise e a maior parte da população mundial não consegue atender suas necessidades básicas porque as pessoas não possuem os meios para comprar os recursos em crescente encarecimento. Hoje é o dinheiro que determina o padrão de vida das pessoas, e não a disponibilidade de recursos.
Em um sistema monetário, o poder de compra não está relacionado com a nossa capacidade de produzir bens e serviços. Por exemplo, em uma recessão existem CDs nas vitrines das lojas e automóveis nas concessionárias, mas muitas pessoas não possuem o poder aquisitivo para comprá-los. A Terra continua a mesma de sempre, são apenas as regras do jogo que estão obsoletas e criam conflito, privação e sofrimento humano desnecessário.
Na atual cultura do lucro, nós não produzimos bens baseados na necessidade humana. Nós não construímos casas baseadas na necessidade da população. Nós não cultivamos alimentos para alimentar pessoas. A maior motivação da indústria é o lucro.
O sistema monetário é hoje mais um obstáculo para a sobrevivência do que um meio de facilitar a existência e o crescimento individuais. Essa ferramenta imaginária tem sobrevivido além da sua utilidade. As limitações na população da Terra agora causadas pelo construto monetário podem ser gradualmente eliminadas. Não é de dinheiro que as pessoas precisam, mas sim de acesso aos bens e serviços. Já que a humanidade precisa de recursos para existir, o sistema substituto dever fornecer esses recursos diretamente às pessoas, sem o obstáculo dos interesses políticos e financeiros para ganho privado deles à custa das vidas e dos sustentos das massas. Por isso, o sistema substituto deve ser, logicamente, uma economia baseada em recursos. Essa economia global baseada em recursos seria gradativamente introduzida, enquanto o sistema monetário gradativamente removido.
Todos os sistemas econômicos mundiais – socialismo, comunismo, fascismo, e até o vangloriado sistema capitalista de livre comércio – perpetuam estratificação social, elitismo, nacionalismo e racismo, baseando-se primariamente em disparidades econômicas. Enquanto um sistema social usar dinheiro ou escambo, as pessoas e as nações buscarão manter suas posições de vantagens diferenciadas. Se não conseguirem fazê-lo por meio do comércio, lançarão mão de intervenções militares.
A guerra representa o fracasso supremo das nações em resolver suas diferenças. De um ponto de vista estritamente pragmático, ela é o mais ineficiente desperdício de vidas e recursos jamais concebido por qualquer criatura no planeta. Essa forma bruta e violenta de se tentar resolver diferenças internacionais tem trazido reflexos ainda mais ominosos com o advento de elaborados sistemas computadorizados de entrega termonuclear, doenças e gases letais, e a ameaça de sabotagem das redes de computadores de uma nação. Apesar do desejo das nações de alcançar a paz, elas frequentemente não sabem como chegar a soluções pacíficas.
A guerra não é a única forma de violência nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos que é imposta sobre a população por meio de arranjos sociais inadequados. Há também a fome, pobreza e escassez. Enquanto houver uso de dinheiro, criação de dívida e insegurança econômica, essas condições irão perpetuar crimes, ilegalidades e ressentimentos. Proclamações em papéis e tratados não alteram condições de escassez e insegurança. E o nacionalismo só tende a propagar a separação das nações e das pessoas do mundo.
Até a assinatura de tratados de paz não podem evitar outra guerra se as verdadeiras causas não são tratadas. O aspecto impraticável das leis internacionais tende a congelar as coisas como elas estão. Todas as nações que conquistaram terra em volta do mundo, por força e violência, manteriam sua posição de vantagem sobre os recursos e territórios. Quer aceitemos ou não, tais acordos só servem como suspensões temporárias aos conflitos.
A tentativa de encontrar soluções para os problemas monumentais com a nossa atual sociedade em vigência, só servirá como um remendo temporário, prolongando um sistema obsoleto.
Nesse mundo de constantes mudanças, não é mais uma questão escolher fazer as mudanças necessárias; e sim, obrigatório que aceitemos esse desafio e adotemos essas novas requerimentos, ou que enfrentemos a decadência inevitável das nossas instituições sociais e econômicas.
Esse é o dilema que precisamos enfrentar de frente, e as soluções que encontrarmos devem se enquadrar nas circunstâncias do “mundo real”. Parece não haver outra maneira, que não seja atualizar nossa percepção e criar uma nova direção, transferindo os antigos valores para as civilizações passadas.
Apresentado aqui está uma abordagem direta para o redesenho de uma cultura, na qual manjadas inadequaçoes de guerra, pobreza, fome, dívida, e sofrimento humano desnecessário são vistos não apenas como evitável, mas totalmente inaceitável. Este novo desenho social trabalha rumo a eliminação de nossos problemas. Mas, como dito anteriormente, eles não podem ser eliminados dentro da estrutura do atual sistema monetário e ordem política estabelecida. Comportamento humano é sujeito as mesmas leis que governam todos os outros fenômenos físicos. Nossos costumes, comportamento e valores são produtos de nossa cultura. Ninguém nasce com ganância, preconceito, intolerância e ódio, eles são aprendidos. Se o ambiente é inalterado problemas similares irão ocorrer.
Estas aspirações não podem ser realizadas em uma sociedade monetária de desperdícios e exploração humana. Com a sua obsolescência planejada, abandono do meio ambiente, ultrajantes gastos militares e os métodos antiquados de tentar resolver os problemas através da promulgação de leis, esses métodos estão condenados ao fracasso. Além disso, a crença de que as tecnologias avançadas conduziriam a uma melhoria na qualidade de vida para a maioria das pessoas não é o caso de um sistema monetário. Mais e mais empresas estão adotando os enormes benefícios da automação, resultando em aumento da produção com menos funcionários. Corporações preocupadas apenas com lucro a curto prazo acabarão por resultar na morte do mundo com economias monetárias. Se o sistema monetário continua a funcionar, vamos ser confrontados com a condição de mais desemprego funcional, hoje designado downsizing. De 1990 a 1995, as empresas demitiram impressionantes 17,1 milhões de empregados, muitos deles devido à automação. Automações continuarão a substituir as pessoas no futuro previsível, resultando na falta de poder de compra para estes trabalhadores deslocados. Apesar da expansão dos mercados globais, o custo humano em termos de trabalhadores deslocados e população marginalizada, irá inevitavelmente causar enormes e incontroláveis problemas sociais.
Durante a década de 1930, no auge da Grande Depressão, a administração Roosevelt promulgou uma nova legislação social projetada para minimizar tendências revolucionárias e resolver os problemas do desemprego. Empregos foram fornecidos através do Works Progress Administration, Civilian Conservation Corps, National Recovery Act, acampamentos transitórios e Federal Arts projects. Finalmente, contudo, a Segunda Guerra Mundial puxou os E.U.A. fora da depressão mundial. Se permitirmos que as atuais condições tomem o seu curso natural, em breve vamos vamos ser confrontados com outra recessão internacional de magnitude potencialmente maior. Na época da depressão os E.U.A. tinha apenas 600 aviões de combate de primeira classe no início da II Guerra Mundial, que rapidamente aumentou a produção para 90.000 aviões por ano. Será que temos dinheiro suficiente para pagar os necessários instrumentos de guerra? A resposta é não. Também não temos o ouro suficiente. Mas, tivemos recursos mais do que suficientes. Foi a recursos disponíveis e pessoal que permitiu os E.U.A. para atingir a produção e a eficiência necessária para vencer a guerra. Infelizmente, como um esforço all-out só é considerado em tempos de guerra ou de catástrofe.
Vivemos em uma cultura que parece trabalhar coletivamente apenas em resposta a uma crise. Só em tempos de guerra é que vamos convidar e montar equipes interdisciplinares para atender a uma ameaça de agressão humana. Apenas em tempos de emergência nacional que devemos fazer o mesmo para resolver uma ameaça naturais ou provocadas pelo homem. Raramente, ou nunca, vamos empregar um esforço concentrado para ajudar a encontrar soluções viáveis para os problemas sociais. Se aplicarmos os mesmos esforços de mobilização científica para a promoção social, como fazemos durante uma guerra ou desastre, resultados em grande escala poderiam ser alcançados em um tempo relativamente curto.
A Terra ainda é abundante em recursos. Hoje a nossa prática de racionamento de recursos através de métodos monetários é irrelevante e contraproducente para o bem-estar das pessoas. A sociedade de hoje tem acesso a tecnologias altamente avançadas e podem facilmente oferecer mais do que suficiente para um alto padrão de vida para todas as pessoas da terra. Isto é possível através da implementação de uma economia baseada em recursos.
De forma simples, uma economia baseada em recursos utiliza os recursos existentes, em vez de dinheiro, e fornece um método justo de distribuição de maneira mais humana e eficiente para toda a população. É um sistema em que todos os recursos naturais, sintéticos, manufaturados ou feitas à máquina estariam disponíveis sem o uso de dinheiro, créditos, permuta, ou qualquer outra forma de troca simbólica. Uma economia baseada em recursos irá utilizar os recursos existentes da terra e do mar, e os meios de produção, tais como equipamentos físicos e instalações fabris, para melhorar a vida da população total. Em uma economia baseada em recursos em vez de dinheiro, nós poderíamos facilmente produzir todas as necessidades da vida e proporcionar um alto padrão de vida para todos.
Para esclarecer melhor o conceito de uma economia baseada em recursos considere este exemplo: Um grupo de pessoas de posse de um enorme poder de compra , incluindo ouro, prata e diamantes, está preso em uma ilha. Toda essa riqueza será irrelevante para a sua sobrevivência, se a ilha tem poucos recursos, como alimentos, ar puro e água. Somente quando a população excede a capacidade produtiva da terra de problemas como a ganância, crime e violência surgem. Por outro lado, se as pessoas estavam presos em uma ilha que é abundante em recursos naturais, produzindo mais do que as necessidades de sobrevivência, então um sistema monetário seria irrelevante. É somente quando os recursos são escassos que o dinheiro pode ser usado para controlar sua distribuição. Não se poderia, por exemplo, vender o ar que respiramos, a areia da praia, ou a água salgada do oceano para alguém na ilha que tem acesso igual a todas estas coisas. Em uma economia baseada em recursos, todos os recursos do mundo seria considerada como o património comum de todos os povos da terra, o que acabaria superando a necessidade de limites artificiais que separam as pessoas - este é o imperativo unificador.
Devemos ressaltar aqui que esta abordagem para a governança global não tem nada em comum com o objectivo actual de uma elite corporativa para formar um governo mundial com eles próprios e as grandes corporações no controle, e que a grande maioria da população subserviente a eles do mundo. A globalização em uma economia baseada em recursos habilita cada pessoa no planeta para ser o melhor que pode ser, não viver em submissão abjeta a um órgão de governo societário.
Todos os sistemas sociais, independentemente da filosofia política, crenças religiosas ou costumes sociais, em última instância dependem dos recursos naturais, por exemplo, ar puro e água, terras aráveis e da tecnologia e do pessoal necessários para manter um padrão de vida elevado. Isto pode ser conseguido através da aplicação inteligente e humana da ciência e da tecnologia. A verdadeira riqueza de qualquer nação está em seu desenvolvimento e recursos potenciais, e as pessoas que estão trabalhando para a eliminação da escassez e no desenvolvimento de um modo de vida mais humana. Uma Economia Baseada em Recursos seria usar a tecnologia para superar a escassez de recursos, utilizando fontes renováveis de energia; informatização e automatização de produção, estoque e distribuição; projetos seguros, cidades eficientes em energia, o fornecimento universal de saúde e educação relevante e acima de tudo, gerando um novo sistema de incentivos com base na preocupação ambiental e humana.
Infelizmente, hoje a ciência e a tecnologia têm sido desviados de tais fins, por razões de interesse próprio e ganho monetário através da retirada consciente de eficiência, ou através da obsolescência planejada. Por exemplo, é irônico quando o Departamento de Agricultura dos E.U.A., cuja função é conduzir a investigação sobre as possibilidades de alcançar maior produtividade das culturas por hectare, paga os agricultores para não produzir em plena capacidade, enquanto muitas pessoas passam fome. Outro exemplo é a escolha de algumas empresas de despejo ilegal de resíduos sólidos nos oceanos e rios para poupar dinheiro, quando métodos de descarte mais ecologicos estão disponíveis. Um terceiro exemplo é o fracasso de algumas indústrias a instalar precipitadores eletrostáticos nas chaminés de suas fábricas "para impedir que as partículas sejam libertados para a atmosfera, embora a tecnologia esteja disponível há mais de 75 anos. O sistema monetário nem sempre aplica métodos conhecidos que melhor servirão às pessoas e o meio ambiente.
Em uma economia baseada em recursos, o aspecto humano seria preocupação primária, e tecnologia seria subordinado a este. Isso resultaria em um aumento considerável no tempo de lazer. Numa economia em que a produção é realizada principalmente por máquinas, e produtos e serviços estão disponíveis para todos, os conceitos de "trabalho" e "ganhar a vida" iria se tornar irrelevante. Mas se as consequências humanas da automação não são resolvidas, como não são hoje, então ele torna todos os avanços da ciência e tecnologia algo de importância muito menor.
A utilização de sistemas de computadores de alta velocidade e de grande capacidade de hoje, também conhecido como "superhighway da informação" ou Internet, pode nos ajudar a definir as variáveis e parâmetros necessários para o funcionamento de uma economia baseada no recurso que está de acordo com as necessidades ambientais. Sobre-exploração dos recursos seria desnecessário e ultrapassado.
Muitas pessoas acreditam que há demasiada tecnologia no mundo de hoje, e que a tecnologia é a principal causa da nossa poluição ambiental. Este não é o caso. Pelo contrário, é o abuso e o mau uso da tecnologia que deve ser a nossa grande preocupação. Em termos muito simples, um martelo pode ser usado para construir um edifício, ou para matar uma outra pessoa. Não é o martelo que é a questão, mas como ele é usado.
Cibernetização, ou a aplicação de computadores e de automação para o sistema social, poderia ser considerada como uma proclamação da emancipação da humanidade se for utilizado de forma humana e inteligente. Sua aplicação aprofundada poderia eventualmente permitir que as pessoas tenham o mais alto padrão concebível de viver com praticamente nenhum trabalho. Isso poderia libertar as pessoas de um externamente imposta e altamente estruturada rotina de atividade repetitiva e mundana, pela primeira vez na história humana. Isso poderia permitir a um regresso ao conceito grego de lazer, onde os escravos faziam a maior parte do trabalho e os homens tiveram tempo para cultivar suas mentes. A diferença essencial é que, no futuro, cada um de nós terá de comando mais de um milhão de escravos -, mas eles serão escravos mecânicos e elétricos, e não seres humanos. Isso vai acabar para sempre a exploração degradante de qualquer ser humano por outro para que ele ou ela vive uma vida abundante, produtivo e menos estressante. Talvez a maior ajuda no aumento da sobrevivência da raça humana é a introdução da cibernética, do computador electrônico, e inteligência artificial, que pode muito bem salvar a raça humana da sua própria incompetência.
Uma Economia Baseada em Recursos chama para o replanejamento de nossas cidades, sistemas de transporte, e instalações fabris, de modo que eles sejam energeticamente eficientes, limpos e convenientemente prover as necessidades de todas as pessoas tanto material como espiritualmente. Estas novas cidades cibernéticas teriam seu sistema nervoso autônomo de sensores elétricos estendido em todas as áreas do complexo social. Sua função seria a de coordenar um equilíbrio entre produção e distribuição e de operar um equilíbrio da economia de carga. As decisões seriam baseadas no feedback do ambiente. Apesar da mania de hoje para a segurança nacional e invasões posteriores em assuntos pessoais de todos, em uma economia baseada em recursos onde ninguém precisa tomar algo de outro, será considerado socialmente ofensiva e contraproducente para máquinas monitorar as atividades dos indivíduos. Na verdade, tal intrusão não teria qualquer efeito útil.
Para entender melhor o funcionamento da cibernética no sistema da cidade, por exemplo, no cinturão agrícola as sondas eletrônicas embutidas no solo irão automaticamente manter um inventário constante do lençol freático, condições do solo, nutrientes, etc, e agir de forma adequada sem a necessidade de intervenção humana. Este método de realimentação electrônica industrial poderia ser aplicada a toda a gestão de uma economia global.
Todas as matérias-primas utilizadas na fabricação dos produtos podem ser transportados diretamente para as fábricas por transporte automatizado "seqüências", tais como navios, monotrilhos, comboios, canalizações, e os tubos pneumáticos, e assim por diante. Todos os sistemas de transporte são totalmente utilizados em ambas as direções. Não haveria caminhões vazios, trens, ou unidades de transporte em viagens de regresso. Não haveria trens de carga armazenadas em estaleiros à espera de um ciclo de negócios para a sua utilização. Um sistema de inventário automatizado seriam ligados a ambos os centros de distribuição e das fábricas, assim coordenando a produção para atender a demanda e oferecendo uma avaliação constante de preferências e estatísticas de consumo. Desta forma uma economia equilibrada pode ser assegurada e a escassez, o excessos e o desperdicio podem ser eliminados.
O método de distribuição de bens e serviços em uma economia baseada em recursos, sem a utilização de dinheiro ou fichas poderão ser realizadas através da criação de centros de distribuição. Estes centros de distribuição seriam semelhantes a uma biblioteca pública ou uma exposição, onde as vantagens dos novos produtos podem ser explicados e demonstrados. Por exemplo, se alguém fosse visitar Parque Nacional de Yellowstone, poderia analisar uma máquina fotográfica ou de vídeo usando a câmera no local, e se não quisesse mantê-lo, devolvê-lo-ia para outro centro de distribuição de fácil acesso ou ponto de recolhimento, eliminando assim a necessidade do indivíduo para armazenar e manter os equipamentos.
Além de centros informatizados, que seriam localizados em todas as várias comunidades, haveriam capacidades de imagem televisiva 3-D, tela-plana, direto na conveniência de sua própria casa. Se um item é desejado, uma ordem é dada e ele será automaticamente entregue na residência de uma pessoa.
Com a infusão de uma economia baseada em recursos mundial e um esforço total para desenvolver novas fontes limpas e renováveis de energia, (tais como a energia geotérmica, fusão controlada, concentradores de calor solar, fotovoltaica, eólica, das ondas, de marés, e combustível a partir dos oceanos), que acabará por ser capaz de ter energia em quantidade ilimitada que poderia servir a civilização por milhares de anos.
Para entender melhor o significado de uma economia baseada em recursos considere o seguinte: Se todo o dinheiro do mundo de repente desaparecesse, enquanto solo, fábricas e outros recursos fossem deixadas intactas, poderiamos construir qualquer coisa que escolheriamos para construir e satisfariamos qualquer necessidade humana. Não é o dinheiro que as pessoas precisam, mas sim é a liberdade de acesso à maioria de suas necessidades sem ter que apelar para uma burocracia governamental ou qualquer outro órgão. Em uma economia baseada em recursos o dinheiro que se torna irrelevante. Tudo o que seria exigido seriam os recursos, fabricação e distribuição dos produtos.
Pegue o automóvel. Para reparar aos automóveis convencionais hoje temos que remover uma grande quantidade de hardware antes de chegar ao motor. Por que eles são feitos tão complicados? Esta razão é simplesmente porque a facilidade de reparo não é a preocupação dos fabricantes. Eles não têm que pagar para reparar o carro. Se eles tivessem eu posso assegurá-lo que eles teriam um design de automóveis que consistem em componentes modulares que pudesse ser facilmente desprendida, facilitando assim o acesso mais fácil ao motor. Tal construção seria típico de uma economia baseada em recursos. Muitos dos componentes do automóvel seria facilmente desmontável para poupar tempo e energia no caso raro de reparo, porque ninguém iria lucrar com serviço de automóveis ou quaisquer outros produtos. Conseqüentemente todos os produtos seria da mais alta qualidade, e eles seriam simplificadas para a conveniência do serviço. Unidades de transporte de engenharia Automotiva desta forma pode ser facilmente concebido para ser livre-serviço por muitos anos. Todos os componentes dentro do carro pode ser facilmente substituído quando necessário, com tecnologias melhoradas. Eventualmente, com o desenvolvimento de rolamentos de suspensão magnética, lubrificação e desgaste seria relegado ao passado. Os sensores de proximidade dos veículos preveniriam colisões, reduzindo ainda mais as necessidades de reparo.
Esse mesmo processo poderia ser realizado por todos os outros produtos. Todos os dispositivos industriais seriam destinadas para a reciclagem. No entanto, o tempo de vida dos produtos seria significativamente aumentado através de um design inteligente e eficiente, reduzindo assim o desperdício. Não haveria "obsolescência planejada", onde os produtos são deliberadamente concebidos para desgastar ou quebrar. Em uma economia baseada em recursos a tecnologia aplicada de forma inteligente e eficiente irá economizar energia, reduzir os resíduos e proporcionar mais tempo de lazer. Durante a transição, a semana de trabalho pode ser escalonada, eliminando assim os engarrafamentos ou aglomeração em todas as áreas da atividade humana, incluindo praias e áreas de recreação.
A maioria dos sistemas de embalagem poderia ser padronizado, exigindo menos espaço de armazenamento e facilitando o manuseio fácil. Para eliminar resíduos, como papel de jornal, livros e outras publicações, estas poderiam ser substituídas, por exemplo, por um processo eletrônico em que uma película sensível a luz é colocada sobre um monitor ou TV, produzindo uma impressão temporária. Este material seria capaz de armazenar as informações até que seja excluída. Isso conservar nossas florestas e milhões de quilos de papel, que é uma parte importante do processo de reciclagem. Eventualmente, a maioria dos documentos não seriam mais necessários, ou seja, publicidade, dinheiro, correio, jornal, lista telefónica.
Visto que nós superamos a necessidade de profissões que são baseados no sistema monetário, como advogados, contadores, banqueiros, companhias de seguros, publicidade, pessoal de vendas e corretores, uma quantidade considerável de resíduos e de pessoal não produtivo poderiam ser eliminadas. Enormes quantidades de tempo e energia também seriam salvos pela eliminação da duplicação de produtos concorrentes. Em vez de ter centenas de fábricas diferentes e toda a papelada e pessoal necessários para criar produtos similares, só alguns produtos da mais alta qualidade seriam necessários para atender toda a população. Em uma economia baseada em recursos, a obsolescência planejada não existiria.
Há quem diga que o assim chamado sistema de livre iniciativa gera incentivos. Isso pode até ser verdade, mas ele também perpetua ganância, fraude, corrupção, crime, estresse, privação econômica e insegurança. Além disso, o argumento de que o sistema monetário e a competição geram incentivos nem sempre é verdadeiro. A maioria dos nossos grandes avanços na ciência e tecnologia se deve aos esforços de pouquíssimos indivíduos que trabalharam independentemente, muitas vezes sofrendo forte oposição. Tais contribuintes como Goddard, Galileu, Darwin, Tesla, Edison e Einstein foram indivíduos genuinamente preocupados em solucionar problemas e aperfeiçoar processos, e não com o mero ganho financeiro. Na verdade, muitas vezes existe bastante desconfiança naqueles cujo incentivo advém inteiramente do ganho monetário, isso vale para os advogados, negociantes, vendedores e aqueles de qualquer outra área.
Alguns talvez perguntem: “se as necessidades básicas fossem acessíveis para todas as pessoas, o que iria motivá-las?”. É o mesmo que dizer que crianças educadas em ambientes opulentos, nos quais os pais fornecem todo o alimento, roupa, abrigo, nutrição e educação extensiva necessários, demonstrarão falta de incentivo ou iniciativa. Não há evidência que apoie essa suposição falaciosa. Existem evidências esmagadoras que apoiam o fato de que desnutrição, desemprego, salários baixos, saúde precária, falta de orientação, de educação, de moradia, pouco ou nenhum incentivo aos esforços individuais, modelos exemplares precários, pobreza e uma expectativa desoladora para o futuro, criam enormes problemas sociais e individuais e reduzem drasticamente a vontade de realização do indivíduo. A meta de uma economia baseada em recursos é encorajar e desenvolver um novo sistema de incentivos, um que não seja voltado aos objetivos superficiais e egocêntricos de riqueza, propriedade e poder. Esses novos incentivos encorajariam as pessoas a perseguir diferentes metas, como a realização pessoal, a criatividade, a eliminação da escassez, a proteção do meio ambiente e o alívio do sofrimento dos outros seres humanos.
As pessoas, guarnecidas com boa nutrição em uma sociedade altamente produtiva e humana, irão desenvolver novos sistemas de incentivos, impossíveis em um sistema monetário. Haveria uma vasta gama de novas maravilhas para se experimentar, explorar e inventar, que a noção de tédio e apatia seria absurda. O incentivo é frequentemente oprimido na nossa cultura atual, onde uma pessoa não ousa sonhar com um futuro que pareça ser impossível para ela. A perspectiva para o futuro que muitos têm hoje consiste em dias infindáveis de trabalho tedioso, e uma vida desperdiçada meramente na aquisição de dinheiro suficiente para a sobrevivência de cada dia.
Cada nova época logo cria seu próprio sistema de incentivos. Em tempos remotos, o incentivo para a caça era gerado pela fome; o incentivo para a criação de uma lança ou arco e flecha evoluiu como um processo que ajudaram na caça. Com o advento da sociedade agrária, a motivação para a caça tornou-se irrelevante, e os incentivos moveram-se para o cultivo das safras, domesticação de animais e para a proteção da propriedade privada. Em uma civilização onde as pessoas recebem alimento, cuidados médicos, educação e moradia, os incentivos iriam, novamente, sofrer mudanças e seriam redirecionados: as pessoas seriam livres para explorar outras possibilidades e estilos de vida, inconcebíveis nos tempos antigos.
A natureza do incentivo e da motivação depende de vários fatores. Nós sabemos, por exemplo, que a saúde mental e física de um indivíduo está diretamente relacionada ao seu senso de valor próprio e bem estar. Ademais, sabemos que todos os bebês saudáveis são curiosos; é a cultura que molda o tipo particular de motivação e curiosidade. Por exemplo, na Índia e em outras regiões de grande escassez, existem muitas pessoas motivadas a não acumular riquezas e propriedades materiais; elas renunciam todos os bens mundanos. Dentro das condições nas quais se encontram, não é difícil. Isso deve parecer estar em conflito direto com outras culturas que valorizam a acumulação de riqueza material. Todavia, qual visão de mundo é mais válida? Sua resposta a essa pergunta dependerá do seu referencial, isto é, seu sistema de valores influenciados pela cultura.
Muitos psicólogos e sociólogos experimentais mostraram que os efeitos do ambiente fazem o papel principal na formação de nossos comportamentos e valores. Se um comportamento construtivo for devidamente recompensado durante a primeira infância, a criança ficará motivada a repetir esse comportamento, desde que o estímulo vá de encontro às necessidades da criança. Por exemplo: uma bola de futebol a não será uma recompensa para uma criança interessada em botânica. É de muito pesar que hoje em dia tantos indivíduos da nossa sociedade não sejam devidamente recompensados pelos seus esforços criativos. Em alguns casos, as pessoas parecem ser capazes de superar as desvantagens de seu ambiente mesmo com uma aparente falta de recompensas positivas. Isso se deve ao “auto-encorajamento” delas, com o qual elas podem ver uma melhora em qualquer atividade com que estejam envolvidas, e alcançar um senso intrínseco de realização; seu incentivo não depende da aprovação dos outros, nem de recompensa monetária. As crianças que dependem de aprovação de um grupo tendem a ser afligidas por um senso de baixa auto-estima, ao passo que as crianças que não dependem dessa aprovação normalmente adquirem um senso de aprovação pessoal através do aperfeiçoamento de seu próprio desempenho.
Ao longo da história, existiram muitos inovadores e inventores que foram brutalmente explorados, ridicularizados e abusados ao passo que recebiam uma mísera remuneração financeira. Porém, eles suportaram tanto trabalho duro porque estavam motivados a aprender e descobrir novas maneiras de se fazer as coisas. Embora indivíduos criativos como Leonardo de Vinci, Michelangelo e Beethoven recebessem generosos patrocínios de patrões abastados, os incentivos deles não foram nem um pouco reduzidos. Ao contrário, isso lhes permitiu alcançar novos patamares de criatividade, perseverança e realização individual.
Esse é um conceito difícil de se entender, porque a maioria de nós foi criada com o sistema de valores que nos deu uma série de noções sobre como devemos pensar e nos comportar acerca do o dinheiro e da motivação. Estas são baseadas em ideias antiquíssimas que são realmente irrelevantes hoje em dia.
Disseram que a guerra gera criatividade. Esse conceito deliberadamente falsificado não possui fundamento na realidade. Foi o financiamento governamental das indústrias bélicas que ajudou no desenvolvimento de vários novos materiais e invenções. Não há dúvidas de que uma sociedade mais sã seria capaz de criar um sistema mais construtivo de incentivos se nosso conhecimento das condições que moldam a motivação humana fosse aplicado.
Nesse novo arranjo social de uma economia baseada em recursos, a motivação e o incentivo seriam encorajados através do reconhecimento e da preocupação com as necessidades do indivíduo. Isso significa fornecer o ambiente, complexos educacionais, nutrição, serviços de saúde, compaixão, amor e segurança de que todas as pessoas necessitam.
Na sociedade atual, há muita preocupação com a dissolução do centro convencional da estrutura familiar e dos valores sociais agregados. A família é tida como a provedora primária, mais básica, da formação das habilidades individuais, como a compaixão, sociabilidade, responsabilidade, estabilidade e a preocupação com o próximo. A crescente efervescência e falta de direcionamento vista hoje em dia nos adolescentes parece validar essas preocupações.
No presente, é necessário que ambos marido e esposa trabalhem. A economia monetária tem em larga escala minado a coesão familiar. Os pais não possuem tempo adequado para usar com seus filhos e estão sempre estressados com contas medicas crescentes, pagamentos de seguros, despesas educacionais e o alto custo de vida. É nessa área que se encontra um dos mais profundos benefícios dessa nova proposta de civilização. Os dias de trabalho mais curtos providenciariam mais tempo para a relação em família. O livre acesso aos bens e serviços faria do lar um lugar muito mais agradável, removendo o estresse econômico, que causa tanto tumulto familiar.
Com o melhorado nível de sociabilidade que viria naturalmente pelo fato de não haver competição para o acesso de bens e serviços, nós veríamos a tendência de extensão da unidade familiar para a comunidade. Como já pode ser observado em outras culturas, a educação e o desenvolvimento das crianças se tornariam de responsabilidade de ambas as unidades, familiar e comunitária.
Com a eliminação da dívida, o medo de perder o emprego não seria mais uma ameaça; essa garantia, combinada com a educação que visaria uma relação com o próximo de uma forma muito mais significativa, reduziria consideravelmente conflitos e estresses, tanto mentais quanto físicos. Quando educação e recursos estão disponíveis para todos sem uma etiqueta de preço embutida, não há limites para o potencial humano.
O medo do comportamento uniforme em uma economia cibernética baseada em recursos é infundada. A única uniformidade encontrada seria a da preocupação com o meio ambiente e a importância na extensão de máxima cortesia para todas as nações e para com o próximo. Igualmente, todos compartilhariam uma intensa curiosidade por tudo aquilo que é novo e desafiador. Com uma melhor compreensão, as pessoas poderiam possuir uma flexibilidade na percepção jamais vista em tempos anteriores, livre de inveja e preconceitos. Em adição, nessa sociedade inovadora, as pessoas teriam mais preocupação com o ser humano e com a proteção, manutenção e perpetuação do ambiente natural da Terra. E, adicionalmente, todo mundo, desconsiderando raça, cor ou crença, teria acesso igualitário a todos os confortos que essa cultura altamente produtiva traria.
Em um sistema educacional mais avançado, as pessoas adquiririam esse aprimorado sistema de valores. Elas também perceberiam as várias vantagens da cooperação ao invés da competição. Em uma sociedade bem intencionada seria impossível contratar técnicos e cientistas talentosos para desenvolver armas ou qualquer outro esforço possivelmente hostil à sociedade. Nós chamamos isso de “moralidade funcional”. Esse comportamento novo, mais humano e mais produtivo seria usado na procura de soluções não-militares para as diferenças internacionais. E isso clamaria por uma visão global, que seria um avanço considerável sobre o estreitamento nacional e interesses pessoais. Nós poderíamos usar conhecimento e informação como ferramentas, que seriam substituídas quando evidências de métodos mais apropriados fossem introduzidas.
Algumas pessoas questionam a moral de se receber algo sem aparentemente estar fazendo algo em troca. Em uma recente palestra para uma faculdade, um estudante se opôs a idéia de “receber algo sem fazer nada”. Eu então perguntei se ele estava pagando a mensalidade da escola ou se era os pais. Ele admitiu que era os pais. Aí eu perguntei se ele realmente achava que as pessoas não deveriam receber algo por nada, então disse que na ocasião da morte dos pais, se ele preferiria que a herança fosse passada para uma fundação do câncer do que para si mesmo. Mas o estudante, nem precisa falar, foi contra essa idéia.
O simples fato de nascer em um país desenvolvido, já o permite acessar várias coisas sem pôr esforço algum, dentre essas coisas podemos citar o telefone, o automóvel, eletricidade, água corrente, etc. Esses presentes da engenhosidade e invenção humana não degradam nossas vidas, muito pelo contrário, enriquecem e aumentam nossa qualidade de vida. O que nos degrada é a falta de preocupação com aqueles desafortunados que vivem na pobreza, com fome e sem lares. O design social que é aqui proposto dá às pessoas a oportunidade de desenvolver seu potencial máximo em qualquer que seja a atividade escolhida, sem o medo de perder a individualidade ou ter que se submeter à uniformidade.
Uma economia baseada em recursos por definição inclui a participação de todas as pessoas em seus benefícios. Em um sistema monetário existe uma razão inerente para a corrupção, sendo a de obter uma vantagem competitiva sobre outra pessoa. Sem interesses ou uso de dinheiro não há qualquer benefício em confrontar a opinião de alguém ou falsificar alguma informação ou mesmo tomar vantagem sobre outrem. Não haveria motivos para dar suporte a qualquer barreira social que limitaria a participação das pessoas ou reprimiria a introdução de novas idéias. O objetivo principal é o acesso a informação e a disponibilização dos bens e serviços para todas as pessoas. Essas mudanças permitiriam às pessoas estarem preparadas para participar nos excitantes desafios dessa nova sociedade. Uma economia baseada em recursos criaria um ambiente que encorajaria um amplo alcance da individualidade, criatividade, comportamento construtivo e cooperação, sem nenhum tipo de elitismo, sendo ele técnico ou de qualquer outra precedência. Mais significantemente, uma economia baseada em recursos geraria um sistema de incentivo bem diferente, baseado na preocupação humana e ambiental. Essa não seria uma cultura uniforme, mas uma desenhada para estar em constante processo de crescimento e aperfeiçoamento.
Conforme nós melhoramos a vida de todos, protegemos nosso ambiente e trabalhamos em prol da abundância, nossas vidas podem se tornar mais ricas e seguras. Se esses valores fossem postos em prática, nos permitiria atingir um padrão de vida bem mais elevado em um período de tempo relativamente curto – sendo este padrão continuamente aperfeiçoado. Em um tempo onde instituições comerciais não mais existiriam, a necessidade de prisões, advogados, anúncios, bancos e estoques de troca não mais serviriam um propósito útil. Na sociedade do futuro, onde o sistema monetário terá sido sobrepujado por uma economia baseada em recursos e as necessidades mais criativas e físicas serão supridas, a propriedade privada, como conhecemos hoje, cessará, se transformando em uma necessidade de se proteger o acesso dos indivíduos aos bens e serviços. O conceito de propriedade não manifestaria vantagem alguma em uma sociedade de abundância. Entretanto, isso é algo de difícil confabulação para muitos, pois até a pessoa mais próspera da nossa sociedade atual estaria imensamente melhor em uma sociedade altamente produtiva, como é a de uma economia baseada em recursos. Hoje, nos países desenvolvidos, a classe média vive muito melhor que reis e ricos do passado. Em uma economia baseada em recursos todos teriam vidas mais ricas que os ricos e poderosos de hoje em dia, não só materialmente, mas também espiritualmente.
As pessoas seriam livres para buscar qualquer aprimoramento no campo construtivo sem se preocupar com pressões econômicas, restrições, dívidas e taxações inerentes do sistema monetário atual. Por aprimoramento construtivo, nós queremos dizer qualquer coisa que melhore a vida do indivíduo e da sociedade enquanto protege o ambiente global. Quando educação e recursos estão disponíveis a todos sem uma etiqueta de preço, não haveria limite para o potencial humano. Com essas grandes alterações, as pessoas seriam capazes de viver mais, vidas mais significantes, saudáveis e produtivas. Em tal sociedade, a quantificação do sucesso seria baseada no preenchimento das realizações individuais em vez de aquisições de riquezas, propriedades e poder.
O Projeto Venus é uma organização que se baseia nas idéias, designs e direções aqui apresentadas. Ele representa muitos anos de pesquisas e dedicação por parte de seu inventor e diretor, Jacque Fresco. Seu centro de pesquisas e design de 25 acres está localizado em Venus, Florida, onde o futuro está ganhando formas mais concretas hoje. A função do Projeto Venus é projetar, desenvolver e preparar os planos para a construção de uma cidade experimental baseada nos princípios descritos acima. Aqui, na Florida, nós temos nove construções experimentais e estamos desenvolvendo sistemas de energias alternativas, projetos de cidades, transporte, sistemas de produção e muito mais. Para apoiar essa pesquisa, nós estamos desenvolvendo plantas, vídeos, modelos, apresentando seminários, produzindo livros e outros materiais para poder introduzir as pessoas os objetivos do Projeto Venus. O Projeto Venus está em processo de introdução de um conjunto de valores e procedimentos que irão permitir a nós alcançar uma transformação social. O Projeto Venus irá fornecer os desenhos e as plantas para a construção de uma comunidade protótipo, para testar a validez das suas propostas sociais e estabelecer um centro de planejamento permanente que poderia ser usado para projetos de planejamento de longo e curto prazo no futuro. O Projeto também fornecerá uma orientação para as pessoas poderem se adaptar intelectual e emocionalmente a nossa nova era tecnológica. Qualquer projeto com um menor conteúdo social seria inapropriado e muito menos efetivo. Nossas propostas serão submetidas para o público em geral e a todas as instituições educacionais, juntamente com convites para sua participação. Se um número suficiente de pessoas acharem as propostas aceitáveis e escolherem se juntar a nós nessa nova causa, isso ajudaria a formar o núcleo de uma organização que promoveria os objetivos do Projeto Venus.
As configurações circulares das novas cidades, como proposto pelo Projeto Venus, não são meras concepções arquiteturais estilizadas, mas sim resultados de anos de pesquisa para promover um ambiente que melhor serviria as necessidades dos ocupantes de uma maneira eficiente e econômica. Sem o suficiente conhecimento das relações simbióticas entre a humanidade e o ambiente, seria extremamente difícil desenvolver soluções possíveis para os nossos vários problemas. No planejamento dessa nova cidade, o Projeto Venus tomou esse e muitos outros fatores para estudo e consideração. Essa nova cidade experimental seria feita para funcionar sobre as metas e objetivos do Projeto Venus, que são:
1. Conservar todos os recursos do planeta como uma herança comum de todas as pessoas.
2. Transcender todas as fronteiras artificiais que separam as pessoas.
3. Evoluir de uma economia monetária para uma economia baseada em recursos.
4. Resgatar e restaurar o meio ambiente para o melhor da nossa capacidade.
5. Redesenhar nossas cidades, sistemas de transporte, e instalações fabris e agrícolas para que elas sejam eficientes em energia, limpas e sirvam convenientemente às necessidades da população.
6. Evoluir para uma sociedade cibernética que poderá abandonar gradualmente a necessidade por políticas de governos locais, nacionais e supranacionais como uma forma de manejo social.
7. Compartilhar e aplicar todas as novas tecnológicas para o benefício de todas as nações.
8. Usar fontes de energia limpa e renovável como a eólica, solar, geotérmica, energia das marés, etc.
9. Utilizar somente os produtos da mais alta qualidade para o benefício de todas as pessoas.
10. Requerer estudos de impacto ambiental para a construção de qualquer mega projeto.
11. Encorajar a mais ampla gama de criatividade e de incentivo rumo ao esforço construtivo.
12. Auxiliando na estabilização da população do mundo através da educação e de controle de natalidade voluntário em conformidade com a capacidade da Terra
13. Superar o nacionalismo, a intolerância e o preconceito por meio da educação.
14. Eliminar qualquer tipo de elitismo, técnicos ou não.
15. Chegar em metodologias por pesquisas cuidadosas, em vez de opiniões aleatórias.
16. Melhorar a comunicação nas novas escolas, para que a nossa línguagem e educação sejam relevantes para as condições físicas do mundo que nos rodeia.
17. Provendo não somente as necessidades de sobrevivência, mas também oferecendo desafios que estimulem a mente, enfatizando a individualidade em vez de uniformidade.
18. Finalmente, preparar as pessoas intelectualmente e emocionalmente para as possíveis alterações que hão de vir.
Como todas as outras propostas sociais inovativas, isso começa com poucas pessoas devotadas que dedicam seu tempo a informar aos outros sobre os benefícios humanos deste novo rumo. As pessoas são convidadas a participar com qualquer capacidade possível para ajudar a realizar as iniciais fases de concepção desta nova cidade experimental. Uma equipe interdisciplinar de engenheiros de sistemas, programadores, arquitetos, urbanistas, sociólogos, psicólogos, educadores e similares também seria necessário. A concepção do Projeto Venus não considera as condições ambientais como fixo ou estático. Temos de permitir a adaptação e mudança dentro do sistema como um processo contínuo. Isso evitaria a tendência de se perpetuar o regime temporário para além do seu prazo de utilidade.
A cidade circular proposta pelo Projeto Venus seria uma fase de transição e poderia evoluir a partir de uma monetária e semi-cooperativa sociedade para uma economia baseada em recursos completa. Este poderia ser o protótipo de uma série de novas cidades a serem construídas em vários lugares pelo mundo. A taxa de progressão dependerá da disponibilidade de fundos arrecadados durante as fases iniciais e as pessoas que se identificam, participam e apoiam os objetivos e direções do Projeto Venus. Enquanto essas novas comunidades se desenvolvem e se tornam mais amplamente aceitos, eles podem muito bem servir de base a uma nova civilização, de preferência através do processo de evolução e não revolução. Estamos cientes de que ninguém pode realmente prever a forma do futuro. Nós só podemos extrapolar em informações atuais e tendências. O crescimento populacional, mudança tecnológica, as condições ambientais em todo o mundo, e os recursos disponíveis são os principais critérios para projeções futuras. Nós também estamos cientes de que não há nenhuma filosofia única ou ponto de vista - religioso, político, científico ou ideológico - que alguém não terá qualquer problema. Temos certeza, porém, que os únicos aspectos do Projeto Venus que podem parecer uma ameaça são aqueles que alguém projeta sobre ele.
O Projeto Venus não é utopico, nem orwelliano, nem reflete os sonhos de impráticos idealistas. Em vez disso, ele apresenta metas atingíveis exigindo apenas a aplicação inteligente do que nós já sabemos. As únicas limitações são aqueles que impomos a nós mesmos.
O Projeto Venus não defende a dissolução do sistema empresarial existente. Acreditamos que este irá eventualmente evoluir para uma sociedade baseada em recursos de Herança Comum no momento oportuno. Tudo o que o Projeto Venus oferece é uma abordagem alternativa para sua consideração.
Não é possível apresentar neste curto escrito a metodologia precisa e modo de operação de uma Economia Baseada em Recursos mundial. Nós encorajamos você a informar-se melhor sobre as propostas do projeto através de nossos livros, vídeos, palestras e seminários. Se você se identifica com este sentido, convidamos você para unir-se a nós e trabalhar para sua realização.

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