Movimento Zeitgeist Brasil

Perguntas Frequentes

 

(1) O que é o Movimento Zeitgeist?

O Movimento Zeitgeist é um grupo explicitamente não-violento em defesa da sustentabilidade global, atualmente trabalhando em mais de 1000 capítulos regionais, em cerca de 70 países, ao redor do mundo. A estrutura básica do movimento consiste em Capítulos, Equipes, Projetos e Eventos. Em geral, os capítulos são essencialmente o que define o movimento, e cada capítulo funciona não só para difundir as raízes de nossos problemas sociais atuais, mas também para expressar soluções lógicas e métodos científicos que temos a nossa disposição para superar o atual sistema social, criando uma sociedade global verdadeiramente pacífica, responsável e sustentável. Trabalhando através de projetos globais e regionais de educação e programas comunitários, o objetivo intermediário é a obtenção de um movimento mundial, essencialmente unificando as pessoas, independentemente de religião, país ou partido político, com um valor de identificação comum que todos nós invariavelmente partilhamos, pertencente à nossa sobrevivência e à sustentabilidade.

O movimento pressupõe que a pressão da educação e do ativismo gerado, juntamente com o sistema social fracassado, irão inibir e substituir as instituições políticas, comerciais e nacionalistas estabelecidas, expondo e resolvendo as falhas inerentes. É nossa opinião que os meios tradicionais da política e do comércio, como forças de mudança, não irão obter as metas necessárias para tornar o nosso sistema social sustentável e humano, pois estes nascem da mesma lógica falha que criou os problemas tais como estão.

A meta de transição, uma vez que tal presença e pressão globais forem obtidas, é a implementação de um modelo econômico que siga uma linha de pensamento verdadeiramente científica com relação aos fatores técnicos que permitam a predisposição humana, saúde pública e responsabilidade ambiental ao longo de gerações. Este novo modelo, uma vez que é baseado na Gestão de Recursos e na Lei Natural (Ciência) como o ponto de partida lógico para todas as decisões e processos, é muitas vezes referido como um "Modelo de Economia Baseado em Recursos" ("MEBR"). No entanto, a realização desta direção não é a de uma instituição, mas de uma linha de pensamento - a linha de pensamento de, objetivamente, aplicar o método científico para o interesse social, permitindo que seu aparecimento natural floresça sem limitações, à medida em que novas eficiências se apresentem.

Observações Gerais
Na visão do Movimento, a sociedade de hoje tem se tornado cada vez mais distanciada do mundo físico, com técnicas de produção, distribuição e organização social que têm pouca ou nenhuma relação com o meio-ambiente ou com o estado atual do conhecimento científico, no que diz respeito à saúde pública e à sustentabilidade.

Consumo Cíclico
Por exemplo, nosso uso de um sistema monetário baseado no lucro e orientado ao "crescimento" tornou-se um dos maiores destruidores do mundo natural e de valores humanos sustentáveis. A economia global, como um todo, exige "consumo cíclico" para funcionar, o que significa que o dinheiro deve estar constantemente em circulação. Assim, novos bens e serviços devem ser constantemente introduzidos, independentemente da situação do meio-ambiente e da real necessidade humana. Esta abordagem "perpétua" tem uma falha fatal quanto aos recursos que, como sabemos, simplesmente não são infinitos. Recursos são finitos e a Terra é, essencialmente, um sistema fechado. Assumir a necessidade de consumo constante como forma de manter as pessoas empregadas e, assim, manter a continuidade do sistema de mercado, é "eco-cídio" em um planeta finito. O verdadeiro objetivo de uma economia, por definição, é preservar e criar eficiência estrategicamente. O sistema atual exige o oposto.

Crescimento Infinito
O modelo de mercado monetário é baseado no dinheiro sendo tratado como uma mercadoria e originando-se de uma dívida; vendido para rendimento de juros. Isso é um "Esquema Ponzi". Cada vez que esta mercadoria (dinheiro) é vendida (empréstimos bancários) precisa ser paga (dívida) acrescida de dinheiro cobrado como taxa de lucro (juros). O problema é que o valor dos juros necessários para liquidar a dívida não existe na oferta imediata de dinheiro. Em outras palavras, Falência e Moratória não são subprodutos, são inevitáveis, já que há sempre mais dívida do que dinheiro disponível. Isso cria uma escassez monetária grave e desigual, que oprime muitas pessoas em muitos níveis.

O Valor da Escassez
Da mesma forma, as intenções inerentes ao sistema monetário buscam obter uma vantagem estratégica da escassez. Isto significa que recursos esgotados são, na verdade, uma coisa positiva para a indústria no curto prazo, pois pode-se fazer mais dinheiro por cada unidade ofertada. Isso está no contexto da lei monetária da Oferta e Procura e, portanto, do "Valor" para a economia. Isso cria um reforço perverso para que se ignore os problemas ambientais e as consequências negativas que criam a escassez, para não mencionar o reforço da privação humana tecnicamente desnecessária. Este sistema não satisfaz, nem pode satisfazer, as necessidades de muitos, pois não é financeiramente eficiente satisfazê-las.

Problemas/Ineficiência = Lucro
De forma similar, o sistema também requer problemas e interesse constante dos consumidores para funcionar. Quanto mais pessoas têm câncer ou carros que quebram, melhor para a economia por conta do atendimento a estes problemas. É desnecessário dizer que isto também gera um inerente desrespeito ao bem estar humano e ao meio ambiente. Sustentabilidade, eficiência e preservação são os inimigos deste modelo.

Eficiência de Custo & Obsolescência Irresponsável
E ainda há o mecanismo de Eficiência de Custo, que exige o corte de despesas para permanecer "competitivo" no mercado. Cada produto criado por uma empresa, hoje, é imediatamente projetado de forma inferior para atender à exigência do mercado, de redução dos custos de criação, em prol de um "preço de compra" menor. Para se manter uma vantagem competitiva, automaticamente, reduz-se a qualidade de um determinado item. É impossível criar o "estrategicamente melhor"; qualquer coisa duradoura em nossa sociedade se traduz em quantidades exorbitantes de desperdício de recursos e de tempo. Da mesma forma, este mesmo mecanismo também está reforçando o desrespeito, a exaustão e a poluição do meio-ambiente, o que vemos como uma constante no mundo de hoje, entre outras questões.

Desperdício e Opressão dos Recursos Humanos
Quanto às profissões de hoje, precisamos nos perguntar qual é o objetivo de determinada convergência e por que são necessárias. O fato é que a maioria dos empregos da atualidade não estão diretamente relacionados às necessidades reais da vida. Ao invés disto, a maioria deles são criações artificiais a fim de que se mantenham as pessoas empregadas para que possam manter o poder de compra, em um ambiente onde a tecnologia continua a se expandir, de forma exponencial, substituindo os seres humanos como força de produção.

É comum na política de hoje ouvir declaração sobre "criação de empregos". Bem, em teoria, poderia ser criado um emprego em que as pessoas são pagas para sentar em uma sala e testar gomas de mascar durante todo o dia, todos os dias ... mas isto é um uso viável da mente humana? Será que devemos relegar a nossa capacidade mental a qualquer simples "trabalho" por meras razões "econômicas", independentemente do que ele realmente contribua para o desenvolvimento da pessoa e/ou sociedade? Isto se torna ainda mais grotesco à luz da razão, quando percebemos que a mecanização não só nos liberta do trabalho, como é, na verdade, mais eficiente e produtiva por conta do avanço exponencial da ciência e da tecnologia.

Em outro nível, a realidade de que cada ser humano é posto em uma posição de servidão perante uma empresa ou cliente, a fim de obter renda para comprar o necessário à sua vida, não só perpetua o desperdício da mente e da vida humanas, mas também é uma forma de opressão - escravidão. Se combinarmos, o já mencionado "Crescimento Infinito", referido acima, em relação à pressão da dívida criada neste sistema, vemos que a combinação do desequilíbrio da dívida garantida e da obrigação de se submeter ao trabalho, independentemente de sua finalidade ou efeito, a fim de se obter renda monetária para a sobrevivência, é uma forma estrutural de opressão contra as classes mais baixas (que detêm a maior parte da dívida e necessitam de mais renda).

Como se observa, os avanços na ciência e tecnologia têm mostrado que podemos automatizar muitos segmentos. Quanto mais aplicarmos mecanização do trabalho, mais as coisas se tornam produtivas. Portanto, não é só negligente para nós desperdiçamos nossas vidas servindo mesas, trabalhando em uma estação de ônibus, consertando carros, ou outros trabalhos repetitivos e monótonos, como é, também, totalmente irresponsável não aplicarmos modernas técnicas de mecanização a todas as indústrias possíveis, além de gestão estratégica de recursos; esta é uma maneira poderosa de se alcançar o equilíbrio e a abundância para todos os povos do mundo, reduzindo os desequilíbrios que geram o crime.

O fato é que o sistema de mercado não pode manter-se mais com qualquer integridade viável, pois corporações irão continuar a poupar dinheiro através da automação, deslocando trabalho humano - o que também desloca o poder de compra, continuando a perda inevitável de "crescimento", que define este sistema.

Em última análise, a sociedade atual tem, agora, acesso a tecnologias altamente avançadas e pode facilmente fornecer mais do que o suficiente para todas as pessoas da Terra. Isto é possível através da implementação de uma economia baseada na gestão científica de recursos e na aplicação de métodos modernos. Este é o propósito do Movimento Zeitgeist - criar uma consciência global para, assim, transitar para uma nova direção sustentável para a humanidade como um todo.

(2) Qual é a estrutura básica e quais são os processos do Movimento Zeitgeist?

Termos/Questões abordadas:

1. O Movimento
2. Membros
3. Capítulos
4. Times
5. Projetos
6. Coordenadores
7. Consenso racional
8. Circulando Informação
9. Captação de recursos

1. O Movimento
O Movimento, como uma entidade, consiste no conjunto do Capítulo Global, geralmente compreendendo Cidades, Estados e Nações. Enquanto o movimento é global, por definição, os capítulos assumem a forma da presença física do Movimento Zeitgeist. Fazer parte do Movimento é fazer parte de seu capítulo regional, no nível mais próximo da organização na sua área, portanto, tornando-se parte do todo.

2. Membros
Para uma pessoa ser tecnicamente considerada um membro do Movimento Zeitgeist ela deve ser ativa em um Capítulo. Se não existe um Capítulo em sua respectiva região, um membro em potencial pode criar um. Isto é muito simples em seus estágios preliminares, tudo o que se precisa é de um site ou uma comunidade em grupo, de qualquer tipo ou tamanho. Há de se começar em algum lugar.

3. Capítulos
Capítulos são grupos regionais do Movimento Zeitgeist, organizados em camadas.
De "cima para baixo", os capítulos são:
1. Internacional- [países]
2. Estado/Província- [grau imediatamente inferior de distinções regionais dentro de um determinado país]
3. Cidade/Comunidade- [grau imediatamente inferior de distinções regionais dentro de um determinado estado ou província]
Os capítulos precisam ter a capacidade de permitir a comunicação entre os seus membros, juntamente com outros capítulos. À medida em que um capítulo cresce, reuniões periódicas, presenciais ou virtuais (online), devem ser realizadas, para a discussão de eventos e ações regionais ou globais.
Reuniões de capítulos ocorrem em camadas, com o encontro de coordenadores em seu respectivo nível. Por exemplo, o capítulo do estado do Rio Grande do Sul, assumindo que não há sub-capítulos (cidades) dentro dele, teria um encontro com todos os membros do RS presentes. No entanto, a reunião do maior nível seguinte, o nível de país (BRASIL) seria somente com os coordenadores de cada estado, não com todos os membros. Este estreitamento acontece pois entendemos que seria muito difícil ter encontros globais com dezenas de milhares de membros de uma só vez.

4. Times
Grupo de membros organizados por coordenadores de "times", trabalhando com um projeto ou projetos específicos.
Os "times" (equipes), geralmente, assumem duas formas: times globais e times regionais.
Times globais são os times que trabalham em projetos centrais do Movimento, que dizem respeito a toda a organização global. Atualmente, há 6 times globais, e cada um deles tem seu próprio conjunto de diretrizes participativas ou processos.
1. Time Linguístico
2. Time de Desenvolvedores
3. Time de Newsletter/Imprensa
4. Time de Comunicação e Mídia
5. Time de Tecnologia
6. Time de Palestras
Times Regionais são tipicamente independentes de avaliação global e são criados pelo Capítulo.

5. Projetos
Qualquer tarefa de interesse relevante, acordada e definida por um time, seja regional ou global. Estes incluem muitas vezes boletins informativos, eventos ou ações de caridade.

6. Coordenadores
Membros organizadores de cada capítulo ou equipe.
São "pessoas referência" e organizadores de operações essenciais que trabalham com um capítulo ou time de comunicação e todos os problemas de administração relacionados. Eles não devem ser confundidos com líderes ou autoridades [isto é, "presidentes/prefeitos" ou "tomadores de decisão"]. Eles são iguais em importância a cada outro membro do respectivo capítulo/time e não estão em posição de tomada de decisão final sobre o capítulo. Ao invés disto, eles oferecem o seu tempo em prol do repasse da informação consensual para seu capítulo/time, ao mesmo tempo em que, muitas vezes, tomam a iniciativa por seus respectivos projetos.

Coordenadores de capítulo são tipicamente os fundadores de um determinado capítulo, e eles são, obviamente, voluntários - como todo mundo. Eles têm de ser submetidos à aprovação do(s) coordenador(es) de grau maior seguinte. [Isto é, se um capítulo de uma cidade está para ser criado, este fato é analisado pelo coordenador estadual. A criação de um novo capítulo depende da dedicação e do conhecimento demonstrado pelo coordenador do futuro capítulo, e isto é avaliado caso a caso.] Este é um dos poucos casos em que o coordenador de uma cidade/estado/país é levado a tomar uma "decisão" - neste caso, sobre o pedido de um [sub] capítulo sob o seu grau. Em caso de conflito, a próxima camada, como um todo, vai trabalhar para chegar a um consenso racional.

Coordenadores Globais de times também não são autoridades, mas, novamente, são ajudantes voluntários que garantem que os processos de cada time estejam indo bem. Em caso de problemas/conflitos, a mudança de coordenador(es) de um determinado capítulo/time é alcançada através de consenso do capítulo/time e da avaliação do coordenador internacional através de "consenso racional".

7. Consenso racional
Consenso racional não deve ser confundido com o processo historicamente falho de democracia de massas, ou seja, "uma pessoa = um voto". O MZ não apoia a democracia de massas, pois esta se baseia na suposição equivocada de que cada participante é educado/informado o suficiente para tomar as decisões intelectualmente mais adequadas e imparciais.

Tomada de decisão adequada não tem nada a ver com os interesses de um grupo de pessoas, nem com os interesses de uma única pessoa. Tomada de decisão adequada é um processo puramente técnico de avaliação lógica de um determinado conjunto de variáveis ​​e, portanto, só pode ser baseado em referentes técnicos e tangíveis - e não em valores abjetos e sem suporte de opinião de massas, que a teoria da democracia pura, erroneamente, pressupõe serem íntegros. Em outras palavras, cada argumento de um determinado membro deve ser logicamente apoiado por um referente ou conjunto de referentes externos - claramente fundamentados em comunicação, para apoiar a dada conclusão. A manifestação deste raciocínio poderia ser chamada de "Circunstância" ou "Caso".

Usando o exemplo de um capítulo: Quando um conflito de concordância ocorre no grupo, o processo de consenso racional se inicia, o que exige que cada parte em conflito apresente suas circunstâncias para todos. Este caso deve consistir em fatores/instâncias/exemplos tecnicamente fundamentados que possam ser avaliados fora da expressão da pessoa que está apresentando o problema. Em outras palavras, insinuações, suposições e predisposições não têm valor. Se o argumento não pode ser quantificado de alguma maneira - não é válido como argumento.

Vamos supor que um membro tenha um problema com as ações de um coordenador e gostaria de ver a remoção deste coordenador. Vamos supor que o raciocínio sobre o caso indique que o coordenador não esteja devidamente representando os interesses e ideias da maioria do grupo.

Neste cenário, um conjunto de exemplos técnicos teria de ser fornecido para que, através do mesmo, o próprio grupo pudesse analisar. Em seguida, um consenso racional "democrático" seria feito dentro deste grupo com base exclusivamente nas evidências apresentadas - e não na expressão de qualquer pessoa, em si. Agora, embora o processo seja simples e direto o suficiente - assemelhando-se à democracia tradicional - a decisão ainda pode ser sobreposta caso as conclusões feitas sejam suspeitas quanto a sua racionalidade técnica, pelo próximo grau no nível, na estrutura de capítulos. Esta avaliação estendida é considerada para que haja proteção, em relação às conclusões errôneas, feitas por um membro possivelmente com pouco conhecimento ou com intenções tendenciosas.

Em outras palavras, por exemplo, a remoção de um coordenador de um capítulo estadual, respeitando o consenso racional no capítulo respectivo, ainda pode precisar atender ao consenso racional no nível nacionall da estrutura [ou seja, consenso por todos os 20 ou mais estados] para que haja proteção em relação às decisões erradas ou tendenciosas do grupo, ou mesmo infiltrações por terceiros com o intuito de geração de problemas. Uma vez que estas situações são muito raras e ocorrem normalmente dentro de capítulos muito pequenos, os fatores que compõem tal intervenção, naturalmente, existem caso a caso.

Como um comentário à parte, é importante ressaltar que não há nada a ganhar pessoalmente por ser um coordenador de qualquer capítulo ou de time, em si. O abuso desta posição não oferece nada de retorno de auto-interesse, exceto talvez satisfação de ego. Não há pagamento e, normalmente, é uma posição de grande estresse devido à responsabilidade inerente. Muitos dos que vêm do condicionamento hiper-democrático assumem que o consenso em massa é a única coisa que podemos confiar, enquanto o indivíduo não é digno de confiança em tudo. Esta visão cética precisa ser ajustada para o entendimento de que em um ambiente onde uma pessoa não pode encontrar recompensa por seu estreito auto-interesse, não há nenhuma razão para, tipicamente, perpetuar aquele estreito auto-interesse. Esta é uma das razões principais, como um comentário à parte, pelas quais o Movimento opera sem dinheiro em geral - de maneira que o dinheiro sempre prepara o terreno para a corrupção em um nível básico, como a história tem mostrado.

8. Circulando Informação [Entre níveis de capítulos]
Cada nível de capítulo possui um ou mais coordenadores e estes coordenadores são apenas os representantes de comunicação dos interesses daquele capítulo, enquanto em certos casos, eles são necessários para avaliar as decisões sobre conflitos/compromissos do capítulo no nível abaixo deles [Ver acima ]. Em todos os casos, o Consenso Racional é o processo de tomada de decisão, e isto, naturalmente, reforça aquilo que poderíamos chamar de "divulgação de informação".

As informações são discutidas dentro de cada capítulo em suas respectivas reuniões periódicas, seja presencialmente ou on-line, com Censo Racional sendo atendido com relação à qualquer questão de importância. Em seguida, se uma determinada ideia for relevante para o Movimento Global, é repassada de baixo para cima através de um processo de representação de coordenação sistemática.

Se um capítulo de uma cidade [ex., Florianópolis] desenvolve um projeto/ideia que acredita ser aplicável ao conjunto global do Movimento Zeitgeist, esta ideia é, então, apresentada e discutida no nível do Estado [ou seja - Santa Catarina], com os capítulos de todas as outras cidades.

Uma vez que o Consenso Racional é alcançado neste nível, o coordenador estadual traz esta ideia para o nível do País [ex., Brasil], onde a ideia é apresentada e discutida com todos os estados/províncias.

Uma vez que o Consenso Racional é alcançado neste nível, o coordenador do país traz esta ideia para o nível internacional [ou seja, o Mundo], onde a ideia é apresentada e discutida com todos os países. É neste nível que o Consenso Racional pode implementar a ideia.

Esta é a abordagem "de baixo para cima". A partir daí, diretivas "de cima para baixo" podem ser sugeridas, o que afeta todas as ações do Capítulo. Obviamente, há propostas intermediárias, que não começam no nível mais "baixo", mas no "meio" ou no nível "alto". Neste caso, é de responsabilidade de cada coordenador do Movimento comunicar as questões apresentadas aos seus respectivos capítulos e, se houver conflito, a abordagem ascendente é instituída novamente para se chegar ao Consenso Racional e, portanto, à resolução.

9. Captação de Recursos
Como regra global, o movimento atua com base em Dedicação de Tempo, e não em Dedicação Monetária. Nenhum capítulo pode receber doações abertas diretas. De forma geral, o Movimento atua deliberadamente através de um modelo de contribuição pessoal, voluntária. No entanto, há duas exceções básicas. Como os sites custam dinheiro para funcionar, é aceitável a oferta de merchandise simples. O Website Global, por exemplo, oferece uma única camiseta para ajudar a compensar os custos de administração e hospedagem. Cada capítulo também pode oferecer uma camiseta personalizada ou similar. No entanto, qualquer merchandising "excessivo" será suspenso, se for considerado abusivo. Estas decisões são tomadas por Consenso pela Administração Internacional/Global.
A segunda exceção é quando um projeto temporário, específico e necessário precisa de financiamento. Tipicamente, espera-se que este tipo de financiamento venha pessoalmente, a partir de um indivíduo ou conjunto de indivíduos que trabalhem diretamente com o Capítulo. Caso isto não seja possível, um sistema de doações temporárias totalmente transparente pode ser posto em prática para atender às necessidades deste projeto.

(3) Como o MZ percebe os problemas mais graves da sociedade atual?

O MZ é muito diferente da maioria dos grupos ativistas ou movimentos político-sociais atuais, devido à maneira como enxerga a maioria dos problemas sociais no mundo.
Em suma, o próprio sistema social é considerado a causa raiz, com o comportamento humano e seus efeitos - a corrupção, a poluição, as guerras, o desperdício, a exploração e, portanto, a distorção de valores e psicologia - vistos como sintomas desta raiz fundamental.

Estudos psicológicos e sociológicos modernos descobriram que as ações humanas são suscetíveis à influência ambiental. O que é recompensado pela cultura tende a se perpetuar. Por exemplo, é comumente considerado um problema "moral" quando uma empresa começa a poluir de forma deliberada para economizar dinheiro. Muitos se indignam dizendo que as pessoas desta corporação devem ser "corruptas" por permitir tal coisa. A falha, no entanto, está nesta suposição. Se vivemos em um sistema que nos permite "poupar dinheiro" e, portanto, sermos mais "economicamente eficientes" sendo exploradores, abusivos ou indiferentes, por que não esperarmos que isto ocorra, especialmente em um sistema baseado em competição onde a vantagem é sempre requerida?
Em outras palavras, a "corrupção" é sempre reforçada. Portanto, a solução não se refere mais a "leis" como tentativas de parar este comportamento. A solução é criar um sistema social que não reforce ou recompense tal comportamento. Leis são meros "remendos" que trabalham contra a lógica interna do sistema tal como ele é hoje.
E apesar do MZ ter campanha de alimentos e outros programas desenvolvidos para aliviar o estresse que é inerente ao nosso modelo social atual (que é, novamente, considerado a causa fundamental de 1 bilhão de pessoas passando fome, de desemprego, de esgotamento dos recursos e de ultrajantes montantes de poluição e desperdício), ele não considera tais ações como soluções, pois estas apenas atendem a "sintomas". Vemos a mudança do sistema social como a verdadeira correção necessária, portanto, mudar os valores e comportamentos das pessoas.
Muito mais poderia ser dito sobre este assunto. Por favor, pesquise em nossos materiais para mais exemplos de como a atual ordem social - especificamente econômica - é a causa raiz da maioria dos nossos problemas e determina a nossa falta de sustentabilidade.

(4) Como o MZ enxerga as soluções para os nossos graves problemas sociais de hoje?

Parece que a maioria das soluções oferecidas no mundo de hoje estão enquadradas dentro da atual ordem social e de suas práticas.

Por exemplo, há mais de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo e as soluções mais comumente procuradas tendem a utilizar dinheiro de alguma forma para viabilizar os recursos necessários.

O MZ tem uma visão muito diferente. Ao invés de tomar cada problema, caso a caso, e de trabalhar para resolvê-lo dentro dos limites do sistema hoje aceito - um sistema que deve, de fato, estar criando o problema em si - o MZ retrocede para considerar a lógica inerente aos problemas em si, e para considerar, ainda, como eles se relacionam com a referência científica emergente (no que diz respeito ao Método Científico) - que não considera tradições sociais e costumes.

No caso de 1 bilhão de pessoas famintas, a solução não reside na necessidade de mais doações, mais subsídios governamentais ou até mesmo de mais legislações para limitar os possíveis abusos e explorações causais em determinadas regiões, já que estas não são soluções diretas, uma vez que não se relacionam com a dinâmica da sobrevivência. Ao contrário, elas se relacionam com os atuais costumes sociais.

O verdadeiro problema e, portanto, coerente, é Técnico - não político ou financeiro. A fome é um problema técnico, no qual os recursos essenciais para a vida não estão disponíveis para uma determinada região, por algum motivo. A questão, então, é: Existe uma restrição empírica ambiental que está tornando esses recursos indisponíveis? A resposta para isso, claro, é 'não'. É bem observado pela OMS, e por outras organizações, que há abundância de alimentos - que estão sendo produzidos no mundo - para alimentar a todos, e também temos meios técnicos para dessalinizar e limpar a água poluída, tornado-a segura para beber. Isto pode ser feito em escala industrial.

A abordagem financeira tem claramente uma falha inerente que não está permitindo que estes atributos, essencias à vida, e os recursos estejam disponibilizados para 1 bilhão de pessoas. Em outras palavras, é economicamente ineficiente, no verdadeiro sentido da definição de "economia".

A abordagem técnica, que é a prova de que estas coisas são de fato possíveis, e de que ninguém jamais teria de passar fome, diz: se é possível resolver isto, então precisamos simplesmente pensar em uma maneira de como fazer e ignorar os atuais costumes sociais, se necessário.

Como é dito em grande parte dos materiais do Movimento Zeitgeist, nós vemos a estrutura financeira como um todo, como sendo a causa fundamental da maioria dos problemas do mundo - com a Realidade Técnica sendo possível como solução, tanto quanto como abordagem. Ela se baseia em Causalidade Científica, não em Causalidade Financeira. Em um mundo de tecnologias mecânicas e de informação extremamente avançadas, a maior realização é podermos fazer muito mais do que nunca para que as necessidades da população humana sejam atendidas, ao mesmo tempo em que produzimos uma lógica onde a maioria das questões ambientais e sociais que enfrentamos hoje desapareceriam num instante, se simplesmente aplicássemos nossos conhecimentos modernos agora.

(5) Quais são algumas das características centrais da solução proposta (MEBR - Modelo de Economia Baseado em Recursos)?

1. Ausência de Dinheiro ou de Sistema de Mercado
2. Automação do Trabalho
3. Unificação Tecnológica da Terra através da Abordagem de "Sistemas"
4. Acesso ao invés de Propriedade
5. Cidades Autonômas/Descentralizadas e Sistemas de Produção
6. Ciência como Metodologia de Governança

1. Ausência de dinheiro ou de sistema de mercado
A teoria de mercado assume uma série de coisas que têm provado serem igualmente falsas, pouco benéficas, ou totalmente socialmente prejudiciais.
Os problemas principais a serem considerados são os seguintes:

A) A necessidade de "crescimento infinito", que é matematicamente insustentável e ecologicamente prejudicial. Todo o fundamento do Sistema de Mercado não se baseia na gestão inteligente dos nossos principais recursos finitos neste planeta, mas, sim, na extração e no consumo perpétuos dos mesmos, em prol do lucro e do "crescimento econômico". A fim de manter as pessoas empregadas, as pessoas devem consumir constantemente, independentemente do estado das coisas dentro do ambiente e, frequentemente, independentemente da utilidade do produto. Isto é exatamente o inverso daquilo que uma prática sustentável exigiria, que é a preservação estratégica e utilização eficiente dos recursos.

B) O Sistema de Incentivos à "Geração de Corrupção". Costuma-se dizer que o mercado competitivo cria o incentivo para agir em prol do progresso social. Enquanto isto é parcialmente verdade, isto também gera uma igual, se não, maior, quantidade de corrupção sob a forma de obsolescência planejada, crimes comuns, guerras, fraudes financeiras em grande escala, exploração do trabalho e muitos outros problemas. A grande maioria das pessoas na prisão, hoje em dia, está lá devido a crimes relacionados ao dinheiro ou a delitos não violentos associados às drogas. A maioria das legislações constituem-se no contexto de crimes de ordem financeira.

Além disso, se alguém fosse examinar criticamente a história e investigar as biografias documentadas/as mentalidades dos maiores cientistas e inventores do nosso tempo, como N. Tesla, A. Einstein, A. Bell, os irmãos Wright, e muitos outros – seria verificado que eles não encontraram suas motivações na perspectiva de ganho monetário. O interesse de se ganhar dinheiro não deve ser confundido com o interesse de se criar produtos socialmente benéficos, coisas que muito frequentemente estão em desacordo.

C) Um complexo industrial fragmentado e ineficiente, que desperdiça enormes quantidades de recursos e energia. Hoje em dia, com o advento da globalização, tornou-se mais rentável importar e exportar tanto mão de obra, quanto mercadorias, através do globo, do que produzir localmente. Importam-se bananas do Equador para os EUA e água engarrafada de Fuji, no Japão, enquanto as empresas ocidentais irão para o pobre terceiro mundo explorar mão de obra barata, etc. Da mesma forma, o processo de extração, para a geração de componentes, a montagem e a distribuição de um determinado produto, pode atravessar vários países para um único produto final, simplesmente devido aos custos de trabalho e produção / custos de propriedade. Esta "eficiência de custos" gera extrema "ineficiência técnica", e é apenas justificável dentro do sistema de mercado, devido ao objetivo de poupar dinheiro.

Em um MEBR, o foco é a eficiência técnica máxima. O processo de produção não é disperso, mas, sim, é feito de modo o mais centralizado e fluido possível, com elementos que se deslocam em muito menor quantidade, poupando o que poderia ser uma enorme quantidade de energia e de trabalho, se comparada aos métodos de hoje em dia. O alimento é produzido localmente sempre que possível (o que é, na maioria das vezes, dado pela flexibilidade da tecnologia atual de agricultura interior), enquanto toda a extração, produção e distribuição são logicamente organizadas para demandar o menor trabalho/transporte/espaço possíveis, enquanto estão sendo produzidos os "estrategicamente melhores" produtos possíveis. (Veja mais abaixo). Em outras palavras, o sistema é planejado para maximizar a eficiência e minimizar o desperdício.

D) A propensão para "Instituições". Muito simplesmente, as ordens corporativas/financeiras instituídas têm tomado parte na tendência de inviabilizarem a realização de adventos novos e socialmente positivos, quando há uma perda de quota de mercado prenunciada, lucro e, portanto, poder. É importante considerar a natureza fundamental de uma corporação e a sua necessidade inerente de autoperpetuação.

Se uma pessoa abre uma empresa, contrata funcionários, cria um mercado e torna-se rentável, o que deste modo foi criado, em parte, é o meio de sobrevivência de um grupo de pessoas. A partir do momento em que cada pessoa neste grupo torna-se normalmente dependente de sua organização para obter renda, uma tendência protecionista natural é criada, ao passo que qualquer coisa que ameace a instituição, ameace, deste modo, o bem-estar do grupo/dos indivíduos. Esta é a estrutura de uma mentalidade "competitiva". Enquanto as pessoas pensam na competição do livre mercado como uma batalha entre duas ou mais empresas em uma determinada atividade, elas geralmente perdem o outro nível - que é a competição contra as inovações que as tornariam obsoletas, por completo.

A melhor maneira de aprofundar este ponto é simplesmente dar um exemplo, como é o caso do governo norte-americano e do conluio das “grandes empresas de petróleo”, para limitarem a expansão do Carro (totalmente) Elétrico (EV) nos Estados Unidos. Esta questão foi bem apresentada e fundamentada no documentário "Quem Matou o Carro Elétrico?" (Who Killed the Electric Car?). O ponto principal aqui é que a necessidade de preservar uma ordem estabelecida, objetivando o bem-estar daqueles na ‘função de pagamento’, leva a uma tendência inerente de sufocar o progresso. Uma nova tecnologia que possa tornar uma tecnologia anterior obsoleta será recebida com resistência, a menos que haja uma maneira do sistema de mercado absorver isto de modo lento, permitindo uma transição para as corporações (ou seja - a perpetuação dos carros "híbridos" nos EUA, em oposição aos totalmente elétricos, que poderiam existir, agora, em abundância.) Há, também, uma grande quantidade de evidências de que a FDA (Food and Drugs Administration – Administração de Alimentos e Medicamentos) tenha se envolvido em favoritismo/conluio com as empresas farmacêuticas, visando limitar/impedir a disponibilidade de medicamentos progressivos avançados que pudessem anular os existentes/lucrativos.

Em um MEBR, não existe nada que impeça o desenvolvimento/a implementação de coisa alguma. Se for seguro e útil, será imediatamente implementado na sociedade, com nenhuma instituição monetária se opondo à alteração devido à sua natureza monetária de autopreservação.

E) Uma obsolescência inerente que cria produtos imediatamente inferiores devido à necessidade de se manter "competitiva". Este atributo pouco conhecido da produção é outro exemplo do desperdício que é criado no sistema de mercado. Isto é prejudicial o suficiente para que várias empresas dupliquem constantemente cada item em uma tentativa de fazer as suas variações mais interessantes objetivando o consumo público, mas a realidade mais imoral é que, devido à base competitiva do sistema, há uma certeza matemática de que cada bem produzido é imediatamente inferior no momento em que é criado, devido à necessidade de se reduzir a base de custo inicial de produção e, portanto, de manter-se "competitivo" contra outra empresa... a qual está fazendo a mesma coisa, pelo mesmo motivo. A velha máxima do livre mercado onde os produtores "criam os melhores produtos possíveis com os preços mais baixos possíveis" é uma realidade desnecessariamente imoral e prejudicialmente enganosa, na qual é impossível para uma empresa usar o material ou os processos mais eficientes na produção de qualquer coisa, pois deste modo seria muito caro manter uma base de custos competitiva.

Eles simplesmente não podem fazer concretamente o "melhor estrategicamente", é matematicamente impossível. Se eles o fizessem, ninguém poderia comprar, pois seria inviável devido aos valores embutidos nos materiais e nos métodos de mais alta qualidade. Lembre-se - as pessoas compram aquilo que podem. Cada pessoa neste planeta incorporou um limite de acessibilidade ao sistema monetário, então, isto gera um ciclo de retorno de constante desperdício através da produção inferior, para atender à demanda inferior. Em um MEBR, os produtos são criados para durar, com a expansão e a atualização de certos produtos construídos diretamente no modelo, com a reciclagem estrategicamente viabilizada, também, limitando o desperdício.

Você notará que o termo "melhor estrategicamente" foi usado em uma afirmação, acima. Esta qualificação significa que os produtos são criados em relação ao estado do arranjo dos recursos planetários, com a qualidade dos materiais utilizados com base em uma equação, levando em conta todos os atributos relevantes, graus de diminuição, retroações negativas e afins. Em outras palavras, nós não usaríamos cegamente o titânio, digamos, em cada gabinete de computador produzido, apenas porque ele pode ser o material "mais forte" para o propósito. Esta prática limitada pode levar ao esgotamento. Preferivelmente, deveria haver um gradiente de qualidade do material o qual deveria ser acessado através da análise de atributos relevantes - tais como recursos equivalentes, índices de obsolescência natural de um determinado item, uso de estatística na comunidade, etc. Essas propriedades e conexões podem ser acessadas através de programas, com a solução mais estrategicamente viável, computadorizada e que dê vazão em tempo real. Isto é mera questão de cálculos.

F) A propensão para o monopólio e para o cartel, devido à motivação básica do crescimento e da quota de mercado. Este é um ponto que os teóricos econômicos irão frequentemente negar, sob a suposição de que a concorrência aberta é autorreguladora, e de que os monopólios e os cartéis são anomalias extremamente raras em um sistema de livre mercado. Essa suposição de uma "mão invisível" possui, historicamente, pouca validade, para não mencionar a legislação marcante em torno da questão, o que prova a sua inviabilidade. Nos Estados Unidos tem havido numerosos monopólios, como a Standard Oil e a Microsoft. Os cartéis, que são essencialmente Monopólios por meio de conluios entre os maiores concorrentes em uma indústria, são também persistentes até os dias de hoje, embora menos óbvios para o observador casual. Em qualquer caso, o "livre mercado", por si mesmo, não resolve esses problemas - ele sempre leva o governo a intervir e a dispersar os monopólios.

Nesse aspecto, o ponto mais importante é que em uma economia baseada em "crescimento", é natural para uma empresa querer se expandir e, portanto, dominar. Afinal de contas, esse é o fundamento da estabilidade econômica no mundo moderno - a expansão. A expansão de qualquer corporação sempre gravita em torno do monopólio ou do cartel, para, novamente, a diretriz fundamental da concorrência estar além do seu concorrente. Em outras palavras, o monopólio e o cartel são absolutamente naturais no sistema competitivo. De fato, é inevitável, mais uma vez, que o fundamento seja buscar o domínio sobre a quota de mercado. O prejuízo verdadeiro desta realidade vai voltar para o ponto acima – a inerente propensão a uma "Institucionalização" para preservar suas instituições. Se um cartel médico está influenciando o FDA, então, as novas ideias que anulam as fontes de renda do cartel irão, frequentemente, ser combatidas, independentemente dos benefícios sociais a serem frustrados.

G) O sistema de mercado é conduzido, em parte, pela Escassez. Quanto menos houver de alguma coisa, mais dinheiro poderá ser gerado em curto prazo. Isso configura uma tendência das corporações a limitarem a disponibilidade e, portanto, a negarem a abundância de produção. Isto é, simplesmente, contra a natureza daquilo que impulsiona a demanda a criar abundância. As minas de diamantes de Kimberly, na África, foram designadas no passado a queimar diamantes, a fim de manterem os preços elevados. Os diamantes são recursos raros que levam bilhões de anos para serem criados. Isso não é nada, senão, problemático. O mundo em que vivemos deve ser baseado no interesse de se gerar abundância para a população mundial, junto à preservação estratégica e a métodos aperfeiçoados que permitam a abundância. Essa é a principal razão pela qual, a partir de 2010, há mais de um bilhão de pessoas passando fome no planeta. Isso não tem nada a ver com a incapacidade de se produzir alimentos, mas, sim, tem a ver com a necessidade inerente de se criar/preservar a escassez, por causa dos lucros em curto prazo.

Abundância, Eficiência e Sustentabilidade são, muito simplesmente, os inimigos do lucro. Esta lógica da escassez também se aplica à qualidade dos produtos. A ideia de se criar algo que possa durar, digamos, um tempo de existência com pouco reparo, é um anátema para o sistema de mercado, pois isto reduziria os índices de consumo, o que desaceleraria o crescimento e criaria repercussões sistêmicas (perda de empregos, etc.). A característica de escassez do sistema de mercado não é nada, senão, prejudicial por estas razões, sem mencionar que sequer se presta ao papel da preservação eficiente dos recursos, que é frequentemente alegada.

Enquanto a oferta e a demanda determinam que quanto menos existir de alguma coisa, mais ela será valorizada e, portanto, o aumento do valor irá limitar o consumo, reduzindo a possibilidade de "esgotamento" --- o incentivo para se criar escassez, unido à recompensa inerente do curto prazo, a qual resulta da escassez orientada pelos preços nela baseados, invalida a ideia de que isto possibilita a preservação estratégica. Nós, provavelmente, nunca "esgotaremos" o petróleo no atual sistema de mercado. Preferivelmente, os preços ficarão tão altos que ninguém poderá arcar com estas despesas, enquanto as corporações que possuem o óleo remanescente farão uma grande quantidade de dinheiro a partir da escassez, independentemente dos desdobramentos sociais de longo prazo. Em outras palavras, manter os recursos escassos, existindo em valor econômico elevado a ponto de limitar o seu consumo, não deve ser confundido com preservação, a qual é funcional e estratégica. A preservação estratégica verdadeira só pode vir da administração direta do recurso em questão, considerando as aplicações técnicas mais eficientes do recurso na própria fábrica, não relações arbitrárias de preços superficiais, ausentes de distribuição racional.

2. Automação do Trabalho
Como tendência do que parece ser um aumento exponencial na evolução da tecnologia da informação, robótica e informatização, tornou-se aparente que o trabalho humano esteja se tornando cada vez mais ineficiente, no que diz respeito a atender as demandas necessárias para suprir a população global. Desde o início da Revolução Industrial, temos visto uma tendência crescente de "desemprego tecnológico", que é o fenômeno em que os humanos são substituídos por máquinas como força de trabalho. Esta tendência, enquanto discutível em relação ao seu efeito final a longo prazo sobre o emprego, cria uma propensão para deslocar o trabalhador e, portanto, o consumidor, desacelerando o consumo.

Posto isto, essa questão é, na verdade, ofuscada por um imperativo social maior: Que o uso do trabalho de máquinas (mecanização) é comprovadamente mais eficiente do que o desempenho humano em praticamente todos os setores. Se analisarmos, por exemplo, o desempenho da produção fabril, como o da indústria do aço nos EUA, durante os últimos 200 anos, não só descobriremos que há, agora, menos de 5% da força de trabalho trabalhando em tais fábricas, como a eficiência e a capacidade de produção aumentaram substancialmente. A tendência, de fato, agora mostra que "emprego é inverso à produtividade." Quanto maior a mecanização, mais produtiva torna-se uma indústria.

Hoje existem atividades repetitivas, as quais simplesmente não precisariam existir, dado o estado de automação e informatização ("cibernetização"). Não apenas a mecanização nestas áreas poderia reduzir a carga mundial e permitir mais tempo livre para as pessoas, como também poderia, sobretudo, aumentar a produtividade. Máquinas não precisam de pausas, férias, sono, etc. A utilização da mecanização é o meio próprio para se criar muitas formas de abundância neste planeta, desde alimentos até bens materiais.

No entanto, para fazer isto, o sistema de trabalho tradicional que temos, simplesmente, não pode existir. A realidade é que o nosso trabalho, associado ao sistema de renda, está sufocando o progresso, devido à sua necessidade de "manter as pessoas trabalhando" em prol da "estabilidade econômica". Nós estamos alcançando um estágio no qual a eficiência da automação está superando e tornando o sistema de trabalho associado à renda obsoleto. Esta tendência não mostra sinais de desaceleração, especialmente no que diz respeito ao serviço fabril, hoje em dia dominante, o qual está sendo crescentemente automatizado, na forma de pavilhões, robôs e outras formas. Do mesmo modo, devido ao fenômeno relacionado à lei de Moore e ao crescimento em despesas com computadores e máquinas, é provável que seja apenas uma questão de tempo até que as corporações simplesmente não mantenham mais o trabalho humano, já que os sistemas de automação se tornarão muito mais baratos. Obviamente, este é um fenômeno de mercado paradoxal, chamado por alguns teóricos de "a contradição do capitalismo", por que isto é, na realidade, a remoção do próprio consumidor (trabalhador) e, portanto, a redução do consumo.

Além destas questões, é importante considerar, também, as contribuições do trabalho humano baseadas em relevância social, e não no ganho monetário. Em uma EBR, não haveria nenhuma razão para haver atividades como as de bancário, comerciante, vendedor de seguros, despachante, corretor, publicitário... ou de qualquer coisa relacionada à administração de dinheiro.

Todas as ações humanas na forma de trabalho institucionalizado devem também ter o maior retorno social. Não há coerência em desperdiçar recursos, tempo e energia em operações que não têm uma função direta e tangível. Apenas este ajuste tiraria milhões de empregos, pois a ideia de "trabalhar por dinheiro" como um propósito não existiria mais.

Por sua vez, toda a pobreza, as mercadorias de má qualidade, os itens da vaidade, as criações culturalmente inventadas e concebidas para influenciar as pessoas por razões de status, para o bem único do lucro, também não existiriam mais, poupando quantidade incontável de tempo e de recursos.

Uma nota final sobre esta questão: Alguns ouvem isto e entendem que isto viola as Artes Comunicativas e expressões pessoais e sociais, tanto quanto a pintura, a escultura, a música e afins. Mas, não. Estes meios de expressão, provavelmente, prosperarão como nunca antes, pois a quantidade de tempo livre disponível das pessoas irá permitir um renascimento da criatividade, da invenção, juntamente com a comunidade e o capital social. A ausência do ônus da obrigação de trabalho também irá reduzir o estresse e criar uma cultura mais agradável.

3. Unificação Tecnológica da Terra através de "Sistemas"
Vivemos em um ecossistema planetário simbiótico/sinérgico, com um equilibrio de causa-efeito, refletindo num sistema único de funcionamento terrestre. Buckminster Fuller definiu isto bem quando se referiu ao planeta como "EspaçonaveTerra". É hora de refletir sobre este estado natural das coisas em nossas questões sociais neste planeta. A realidade é que as sociedades humanas estão dispersas em todo o mundo e exigem recursos que estão não-uniformemente dispersos por todo o globo. Nosso procedimento atual para permitir a distribuição de recursos vem sob a forma de corporações que buscam e clamam como sendo sua "propriedade" os recursos terrestres, "vendendo-os" aos outros, em nome do lucro. Os problemas inerentes a esta prática são inúmeros, o que se deve, mais uma vez, ao caráter de auto-interesse inerente em vender qualquer coisa para obter ganhos particulares, como apontado antes. Mas, notamos que isto é apenas uma parte do problema dentro do panorama maior das coisas, quando percebemos que vivemos em um planeta finito, no qual a gestão de recursos e a preservação deveriam ser a preocupação número um no que diz respeito à sobrevivência humana, especialmente com a explosão populacional nos últimos 200 anos. Duas pessoas nascem a cada segundo no planeta e cada um destes seres humanos precisa de uma vida inteira de comida, energia, água e afins. Dada a necessidade fundamental de entender o que temos, as taxas de esgotamento e, invariavelmente, a necessidade de racionalização da indústria da maneira mais eficiente e produtiva, um Sistema Global de Gestão de Recursos deve ser colocado em prática. Isto é apenas senso comum? Este é um assunto extenso, quando se considera as variáveis técnicas e quantitativas necessárias para a implementação.

No entanto, por causa da visão geral, pode-se afirmar que o primeiro passo é um levantamento global completo de todos os recursos terrestres. Em seguida, com base numa análise quantitativa das propriedades de cada material, um processo de produção estrategicamente definido é construído de baixo para cima, utilizando variáveis tais como reações negativas, capacidade de renovação, etc. Em seguida, as estatísticas de consumo são acessadas, as taxas de escassez monitoradas, a distribuição logicamente formulada, etc. Em outras palavras, trata-se de uma abordagem sistêmica completa para a produção, gestão e distribuição de recursos na Terra, com o objetivo de eficiência absoluta, conservação e sustentabilidade. Dado os atributos matematicamente definidos, com base em todas as informações disponíveis no momento, juntamente com o estado da tecnologia no momento, os parâmetros de funcionamento social no complexo industrial torna-se auto evidente, com as decisões chegando por meio de computação, e não da opinião humana. Aqui é onde a inteligência do computador se torna uma ferramenta importante para a governança social, pois apenas com a capacidade de cálculo/programação de computadores podemos acessar e, estrategicamente, regular tais processos de forma eficiente e em tempo real. Esta aplicação tecnológica não é novidade, é simplesmente 'desconsiderada pelos métodos atuais já conhecidos.

4. Acesso ao invés de Propriedade
Apesar de poucas pessoas saberem disto, o conceito social de propriedade é relativamente novo. Antes da revolução neolítica, nas sociedades de caçadores e coletores, as relações de propriedade não existiam da forma como as conhecemos hoje. Nem o dinheiro ou até mesmo o comércio, em muitos casos. Comunidades existiam de uma forma igualitária, existindo dentro da capacidade de transporte e de produção natural das regiões. Foi somente após o desenvolvimento da agricultura,seguido pela aquisição de recursos por parte dos mercadores de navios e afins, que a propriedade tornou-se o eixo muito bem definido da sociedade como a conhecemos hoje.

O entendimento disto descarta a noção comum de que a propriedade é resultado de algum tipo de "natureza humana" empírica. Porém, a noção de "nenhuma propriedade" também é, hoje, muitas vezes cegamente associada ao "comunismo" e às obras de Karl Marx. É importante ressaltar, no entanto, que a defesa do MZ de "nenhuma propriedade" é derivada de inferência lógica, baseada explicitamente em gestão estratégica de recursos e eficiência, e não tem qualquer influência dos ideais supostamente "comunistas". Não há relação entre o que o MZ defende e os ideais comunistas, pois este último não foi derivado das necessidades de se preservar e gerir os recursos do planeta de forma eficiente. O comunismo, na teoria e na prática, foi baseado em um relativismo social/moral que era específicamente cultural - não específicamente ambiental, o que é o caso do MEBR.

A verdadeira questão relevante para a satisfação das necessidades humanas não é a propriedade - é o acesso. As pessoas usam as coisas, elas não as "possuem". A propriedade é um advento protecionista não-operacional, derivada de gerações de escassez de recursos, atualmente agravada por publicidade de mercado que apóia o status e a divisão de classes pelo bem do ganho monetário. Em outras palavras, a propriedade é uma forma de restrição controlada, tanto física quanto ideologicamente. A propriedade como um sistema de restrição controlada, em conjunto com o valor monetário inerente, e, portanto, com as consequências de mercado, é insustentável, limitadora e impraticável.

Em um MEBR, o foco muda de propriedade estática para acesso estratégico, com um sistema projetado para a sociedade ter acesso àquilo de que necessita. Por exemplo, ao invés de se possuir vários equipamentos esportivos, Centros de Acesso são criados, geralmente em regiões onde ocorrem estas práticas, de modo que uma pessoa simplesmente "pegue" o equipamento - o utilize e o devolva. Este arranjo do tipo "biblioteca" pode ser aplicado à praticamente qualquer tipo de necessidade humana. Claro, aqueles que leem isto tendo sido condicionados a uma mentalidade mais individualista, materialista, muitas vezes objetam com questões como "e se eu quiser tacos de golfe verdes personalizados e só brancos estiverem disponíveis?". Este é um pensamento culturalmente tendencioso, artificial. O assunto em questão é a utilidade, e a não vaidade. A expressão humana tem sido moldada pelas necessidades do sistema atual baseado no mercado (consumo), em valores que são simplesmente não-funcionais e irrelevantes. Sim, isso exigiria um ajuste de valor à qualidade, ao invés de identidade. O fato é que, mesmo para aqueles que se opõem a partir do ponto de vista do seu interesse na identidade pessoal, as ramificações globais sociais de tal abordagem social irão criar benefícios que irão ofuscar completamente qualquer preferência arbitrária pessoal, criando novos valores para substituir os obsoletos.

Estes incluem: (a) Nenhum Crime contra o Patrimônio: Em um mundo de acesso ao invés de propriedade, sem dinheiro, não há incentivo para roubar, pois não há nenhum valor de revenda. Você não pode roubar algo que ninguém possui e você certamente não pode vendê-lo. (B) Abundância de Acesso: Foi indicado que os automóveis, em média, ficam em vagas de estacionamento durante a maior parte de seu tempo de vida, o que desperdiça tempo e espaço. Ao invés de haver esta consequência despendiosa do sistema de propriedade, um carro poderia auxiliar um grande número de usuários em uma determinada região, com apenas uma fração das necessidades de produção / recursos. (C) Eficiência no Pico de Produção: Ao contrário do que acontece hoje, onde o sistema de mercado deve perpetuar inerentemente produtos inferiores por causa de volume de negócios, podemos projetar produtos para durar, usando os melhores materiais e processos estrategicamente disponíveis. Nós já não faríamos produtos "baratos" para atender a um público desfavorecido economicamente (que representa a maioria). Só este atributo irá economizar quantidades cataclísmicas de recursos, permitindo ao mesmo tempo que a sociedade tenha acesso a bens e serviços que nunca teriam em um mundo baseado em dinheiro, em obsolescência e em propriedade.

5. Cidade Autônoma/Descentralizada e Sistemas de Produção
Há muitos engenheiros brilhantes que trabalharam para resolver a questão do design industrial, de Jacque Fresco a Buckminster Fuller, ou a Nicola Tesla. Por trás de tais projetos, como as famosas Cidades Circulares de Jacque Fresco ou o Domo Geodésico de Fuller, está uma corrente de pensamento básica: Eficiência Estratégica e Maximização da Produtividade.

Por exemplo, a "cidade circular" de Fresco "é construída com uma série de "cinturões", cada um com uma função social, tal como a produção de energia, a pesquisa, a recreação, a moradia, etc. Cada cidade é, portanto, um sistema no qual todas as necessidades são produzidas no complexo da cidade, de uma forma localizada, sempre que possível. Por exemplo, a geração de energia renovável ocorre próxima ao perímetro exterior. A produção de alimentos ocorre mais próxima ao centro, em estufas de porte industrial.

Isto é muito diferente, em sua lógica, da economia "globalizada", de acordo com a qual vivemos hoje - que desperdiça quantidades exorbitantes de energia e recursos relacionados a transporte e a processamento laboral desnecessários. Da mesma forma, o transporte dentro da cidade é estrategicamente criado para eliminar o uso de automóveis avulsos, com exceção de casos raros, tais como veículos de emergência. Lares são criados para serem micro-sistemas, com a geração de energia própria ocorrendo internamente, como luz solar absorvida pela estrutura do edifício utilizando tecnologia fotovoltaica. Mais informações sobre estes sistemas de cidade podem ser encontradas em www.thevenusproject.com.

A cúpula geodésica, aperfeiçoada por Buckminster Fuller, oferece outro meio baseado em eficiência dentro da mesma linha de pensamento. O objetivo de Fuller era construir projetos para fazer "mais" com menos recursos. Ele percebeu os problemas inerentes a técnicas de construção convencionais, e reconheceu a força nativa de estruturas que existem naturalmente. As vantagens incluem: haver maior força do que há em um edifício convencional, mesmo tendo sido usado menos material para construí-lo; as cúpulas podem ser construídas muito rapidamente, pois elas são de construção modular pré-fabricada e adequadas para serem produzidas em massa; também há menor uso de energia para manutanção de "quente/frio" do que há em uma estrutura de caixa convencional. Mais informações podem ser encontradas em http://www.bfi.org/.

Finalmente, o interesse fundamental é, novamente, sustentabilidade e eficiência em todos os níveis, desde o "design de habitação " até o "design da Terra". O sistema de mercado combate esta eficiência devido à sua natureza, inerentemente falha e competitiva.

6. A ciência como Metodologia de Governança
A aplicação do "método científico em benefício social" é o "mantra" muitas vezes repetido da base de operação social em um Modelo de Economia Baseado em Recursos. Enquanto a obviedade desta aplicação em relação à indústria é simples o suficiente para ser compreendida, é importante, também, percebermos o seu valor em relação ao comportamento humano. Ciência, historicamente falando, tem sido muitas vezes tratada como uma disciplina fria, restritiva, reservada meramente ao bem da tecnologia e da invenção. Pouca importância parece ser dada ao fato de ela ser usada no entendimento do comportamento humano.

O pensamento supersticioso, que tem sido fortemente dominante na evolução humana, parte da ideia de que o ser humano foi, de algum modo, separado do mundo físico. Temos "almas", "espíritos", somos "divinos"; estamos relacionados/guiados por um deus controlador, onisciente, onipresente, etc.

Por outro lado, embora estranhamente de modo similar, há um argumento de que os seres humanos têm "livre arbítrio" em suas decisões e de que temos a livre capacidade de escolher nossas ações, ausentes da influência do meio ambiente ou mesmo da educação.

Agora, quanto à vastidão das duas declarações anteriores, muitos lendo-as podem encontrar diversos argumentos culturais para afirmar o contrário, isto não muda a realidade básica de que nós, humanos, historicamente, "aprendemos" a pensar que somos especiais e diferentes do resto dos organismos e dos fenômenos naturais em torno destes.

No entanto, com o passar do tempo, tornou-se cada vez mais óbvio que não somos especiais e que não há tal coisa "especial" no mundo natural, pois tudo é especial considerando a singularidade de todos os organismos. Não há razão para assumir que o ser humano é mais importante, ou intrinsecamente diferente, ou especial, do que uma toupeira, uma árvore, uma formiga, uma folha ou uma célula cancerosa. Isto não é retórica da "Nova Era" - é lógica fundamental. Somos fenômenos físicos.

Somos muito influenciados pela nossa cultura e, nossos valores e comportamentos só podem ser, principalmente, um resultado de nosso condicionamento - à medida em que os fenômenos externos interagem com nossas predisposições genéticas. Por exemplo, temos uma noção chamada "talento", que é outra palavra para uma predisposição genética para um determinado comportamento, ou conjunto de comportamentos. Um prodígio do piano pode ter uma capacidade inerente que lhes permite aprender mais rapidamente e executar de forma mais perspicaz do que outra pessoa, que passou o mesmo tempo praticando, mas que não tem a predisposição genética. Seja como for, esta pessoa "talentosa" ainda tinha a aprender 'o que era um piano' e como tocá-lo. Em outras palavras, os genes não são iniciadores autônomos de comandos. É preciso um gatilho ambiental para permitir a propensão a se materializar.

De qualquer forma, não é o propósito deste artigo expandir o argumento da "natureza versus criação". O ponto aqui é que se provou, cientificamente, que somos produto de uma causalidade rastreável, e é este entendimento que pode nos permitir desacelerar e até mesmo dar fim ao comportamento "criminoso" ou aberrante que vemos em sociedade de hoje, tal como abuso, assassinato, roubo e semelhantes. A lógica, uma vez que os efeitos do condicionamento humano são compreendidos, é remover os atributos ambientais que estão possibilitando o surgimento de tais reações.

Assim como um cão que foi maltratado e que passou fome durante uma semana pode ter uma reação impensada e reagir violentamente a uma pessoa que está passando, nós, os seres humanos, temos o mesmo comportamento dinâmico. Se você não quer que as pessoas roubem comida, não as prive disto. Verificou-se que as prisões estão gerando mais violência do que contendo. Se você ensinar a uma criança a ser racista, então, há uma grande probabilidade de que ela leve esta característica consigo pelo resto da vida. Os valores e comportamentos humanos são moldados pelo ambiente, baseados em uma relação de causa e efeito; nada diferente de uma folha sendo levada pelo vento.

Em um MEBR, o foco central, em relação às ações humanas aberrantes, não é a sua "punição", mas, sim, encontrar os motivos que levam às mesmas, e trabalhar para eliminá-los. Os humanos são produtos do seu ambiente, e a reforma pessoal/social é um processo científico.

(6) Quem é o "líder" do movimento Zeitgeist? O que é um Movimento Sem Líder?

O Movimento Zeitgeist, apesar de manter porta-vozes, palestrantes, coordenadores de capítulos e afins, não apoia nem tolera uma estrutura orientada por liderança, onde uma única pessoa ou grupo define as práticas e valores que os outros cegamente seguem. Na verdade, tal noção tradicional "siga o líder" realmente anula a premissa e a natureza das iniciativas educacionais do MZ, pois o objetivo é realmente criar um nível igualmente avançado de entendimento dentro da comunidade para que cada pessoa seja capaz de dar passos por conta própria, sem a orientação de fora dos desenvolvimentos gerais da comunidade, que estão em andamento e sempre influentes.

A Estrutura de Capítulos, por exemplo, é vista como "Holográfica", o que quer dizer que espera-se que a integridade e a compreensão de cada grupo regional espelhe-se não apenas por outros capítulos, mas para todos os grupos. Este ponto de vista integrado, mas independente, também existe para os "Membros". Na visão do Movimento, não há nada mais poderoso do que um grupo de pessoas que compartilham uma ideia, onde cada um pode deduzir logicamente, em conjunto, um método compreensivo de conduta que, a partir de uma visão externa, portanto, não encontre nenhum controle de liderança ou chefes de qualquer natureza. Também é importante notar que aqueles que se dedicam à "Coordenação" não são líderes de seu Capítulo ou Equipe. Eles são apenas pontes e iniciadores. Eles não ditam. Eles são voluntários que recebem as informações e agem por conta.

Também é muito importante ressaltar que o Movimento Zeitgeist, buscando criar massa crítica, está, de fato, iniciando um processo de transição em direção ao "objetivo" a que se pretende chegar, através dos próprios meios. Se queremos viver em um mundo sem abusos de poder, divisão, despotismo, escassez e afins, o público deve atingir um nível de educação relevante sobre seu ambiente, o que é raramente visto hoje em dia. Muitos condenam os ditadores violentos da história no que diz respeito às suas iniciativas brutais, mas raramente alguém considera a ignorância e a maleabilidade do público e do exército que, cegamente, sem pensar direito, apoiaram os interesses corruptos de alguns poucos. A verdadeira mudança social não virá de líderes "honestos". Virá de uma revolução de compreensão das massas e, portanto, da mudança de valores dentro de cada indivíduo.

(7) Quem financia o Movimento Zeitgeist? Ele recebe doações como a maioria das organizações sem fins lucrativos?

O Movimento Zeitgeist Global e seus capítulos, raramente, ou nunca, se envolvem em qualquer forma de solicitação pública de dinheiro. Não há coletas "abertas" de doação como há em muitas organizações. Isso é deliberado. A ética promovida está no interesse em utilizar o tempo das pessoas e a energia, e não o seu dinheiro. É, geralmente, esperado que aqueles que estejam contribuindo com os capítulos (regionais) e projetos e/ou eventos relacionados estejam dispostos às inevitáveis ​​perdas financeiras que estão sujeitos para o bem maior. (Por exemplo, Peter Joseph, o fundador do Movimento, é o único financiador do site Global, assim como dos "principais" eventos do Movimento Zeitgeist, como é o caso do Z-Day "principal" e do Festival Multimídia Zeitgeist "principal", etc).

A única exceção é o subsídio dos Capítulos Oficiais para produção e distribuição de camisetas, ou artigos similares de apoio, para ajudar a cobrir os custos de seu site e/ou despesas relacionadas. Isto é aceitável e é, também, um meio de comunicação apoiado culturalmente.

Quaisquer doações solicitadas de outra forma só podem ocorrer com o tempo e projeto especificados. Por exemplo, se são necessários R$ 200 para o aluguel de um local, um dispositivo rastreável de arrecadação, ou algo similar, pode ser configurado em um esforço para arrecadar aquele valor exato.

Da mesma forma, eventos que exigem a venda de ingressos devem refletir o mesmo cenário dentro de um certo limite.
Por exemplo, se o custo para alugar um local é de R$ 200 e o local suporta 50 pessoas, o preço do bilhete será de $ 4,00, presumindo-se que a capacidade máxima será atingida.

A integridade do movimento e, portanto, dos seus membros e capítulos (regionais) é reconhecida, em parte, pela falta explícita de qualquer ganho financeiro inerente às atividades. Mais importante: é também reconhecido que o dinheiro é o mais proeminente fator corruptor no mundo de hoje, sociologicamente; e sem esta possível interferência abusiva, o Movimento Zeitgeist só irá se fortalecer em seu foco.

(8) Qual é a história do MZ e qual é a sua diferença, em relação ao Projeto Venus?

A manifestação inicial do MZ foi como sendo um movimento social com o fim de criar conscientização de massa sobre a linha de pensamento que constitui o trabalho de um homem chamado Jacque Fresco - um designer industrial e engenheiro social que fundou uma organização chamada Projeto Venus.

No entanto, no início de 2011, tensões inesperadas emergiram do Sr. Fresco e de sua sócia Roxanne Meadows. Isto, por fim, gerou um rompimento entre as duas organizações, que agora operam sem a influência ativa uma da outra. É importante notar que não há oposição entre as duas organizações.

As diferenças entre as duas organizações são suas funções e estratégias, enquanto o objetivo geral é, essencialmente, o mesmo.

Função
O MZ procura comunicar uma linha de pensamento que leva em conta como a compreensão e a aplicação do Raciocínio Científico podem melhorar a sociedade em relação à saúde pública e à sustentabilidade social. Busca gerar uma massa crítica educada globalmente para a aceitação e implementação desta linha de pensamento e, portanto, das noções autoevidentes para o projeto social que emergem desta lógica. Isto é feito através de vários programas e eventos, tais como: Z-Day, Festival Multimídia Zeitgeist, reuniões mensais dos capítulos, informativos, imprensas, palestras, shows de rádio, rede social, projetos de grupos de reflexão direcionados e outras mídias.

O PV, historicamente nunca foi um movimento social. O PV opera essencialmente como um grupo de reflexão que desenvolve e expressa o trabalho de Jacque Fresco - especificamente, sua visão do futuro em relação a projetos físicos e métodos sociais.

Estratégia
Em sua comunicação, o PV tende a se auto-abastecer como a solução e, portanto, funciona como uma instituição, frequentemente, alegando propriedade intelectual de várias ideias de Jacque Fresco. Por exemplo, o termo e definição de uma "Economia Baseada em Recursos" foi solicitado por direitos autorais pelo PV em 2010.

O MZ não limita a sua referência de solução ao PV ou a qualquer pessoa ou instituição e também não reivindica a posse ou origem de qualquer ideia promovida. Ao invés disto, concentra-se no raciocínio subjacente por trás da abordagem de aplicação de eficiência científica para a sociedade, fornecendo toda a investigação científica indiscriminadamente, sem a ênfase em qualquer instituição específica ou figura.

Pode-se argumentar que todo conhecimento é desenvolvido em série através da evolução cultural e informativa, e os conceitos de "Crédito" e "Propriedade Institucional" tornam-se intelectualmente insustentáveis na realidade. Isso não quer dizer que aqueles que possuem autoridade de especialista não devam ser favorecidos em uma situação que necessite de tal mérito na aplicação. Mas, em nível de dados e raciocínio, a informação sempre se sustenta e suporta seu próprio escrutínio lógico, e o mensageiro torna-se sem importância.
O MZ vê a Mudança de Valores do Sistema e a urgência educacional como a questão mais crítica neste momento, e é por isto que programas públicos de interação estão em primeiro plano.

Os projetos técnicos altamente específicos, característicos do PV, os quais, na verdade, abrangeriam os mecanismos do sistema social, são vistos como sendo aptos a emergir, como uma consequência natural, uma vez que a linha de pensamento for digerida pelo público.

Além disso, o MZ, enquanto trabalha tendo como principal objetivo promover a linha de pensamento de modo "open source" - para educar o público através da interação com a comunidade e a mídia - também possui um lado ativista tradicional, realizando Campanhas de Alimentos, protestos e trabalhos de caridade para ajudar a aliviar o estresse crescente que tem sido causado por este sistema.

O PV não é voltado para o ativismo ou ações de caridade, e opera exclusivamente para a expressão do trabalho de Jacque Fresco.

EBR (Economia Baseada em Recursos) vs MEBR (Modelo de Economia Baseado em Recursos):
Com um respeito geral quanto ao trabalho do PV, com o que eles consideram ser o conceito proprietário de uma "Economia Baseada em Recursos" [EBR] e sua definição, alguns no Movimento preferem adaptá-la ao termo "Modelo de Economia Baseado em Recursos" [MEBR], para separar a específica associação e definição de Fresco e permitir uma compreensão geral mais flexível da linha de pensamento.

(9) O que é o ZDay?

"Zeitgeist Day", ou ZDay, é um evento mundial e anual que ocorre em março de cada ano. O objetivo é aumentar a consciência pública do Movimento Zeitgeist.

O primeiro "ZDay" oficial aconteceu em 2009. Os eventos foram bem documentados por agências de notícias em todo o mundo, incluindo o New York Times nos Estados Unidos.
No ZDay de 2010, 330 eventos equivalentes ocorreram em mais de 70 países ao redor do globo. Estes eventos foram bem documentados por agências de notícias em todo o mundo, incluindo o The Huffington Post nos Estados Unidos. Mais informações podem ser encontradas em http://www.zday2010.org/.

Um evento como o ZDay pode assumir muitas formas, desde uma simples exibição de DVD, até palestras completas e eventos interativos de perguntas e respostas com os organizadores dos capítulos (regionais), em várias regiões.

(10) O que é o Festival Multimídia Zeitgeist?

Reconhecendo o poder da arte e dos meios de comunicação para ajudar a mudar o mundo, "O Festival Multimídia Zeitgeist" é um festival de artes mundial que acontece todos os anos em setembro.

A ideia é engajar a comunidade artística e seu poder de alterar valores. O festival propõe que as mudanças necessárias ao funcionamento estrutural/econômico da sociedade só podem se manifestar em conjunto com uma transformação pessoal/social de valores em cada um de nós. Enquanto o conhecimento intelectual cumpre o seu papel de mostrar o caminho, muitos no mundo seguem seus sentimentos, não o conhecimento. O Festival Multimídia Zeitgeist trabalha para conectar estes níveis, além de trazer luz ao fato de que mudar e melhorar o mundo não é mais considerado uma atividade "à margem", suspeita ou perigosa - mas sim, o nível mais elevado e mais nobre de nossa integridade pessoal/social.

Participar do Festival Multimídia Zeitgeist não significa que cada evento deva cumprir alguma exigência estrita de foco ou até mesmo ser dedicado aos princípios do Movimento. No entanto, a participação exige que cada ato compreenda e concorde com uma linha de pensamento geral no que diz respeito à sustentabilidade humana e social e aos fatores autoevidentes que compõem uma visão global da Terra como um sistema único, e como isto se relaciona com nossa família humana.
O Festival Multimídia Zeitgeist também funciona em nível mundial com campanhas locais de coleta de alimentos, para ajudar aos desabrigados e àqueles que sofrem diretamente as consequências do atual sistema econômico.

(11) O Movimento Zeitgeist é relacionado à série de filmes de Peter Joseph?

Não. Embora a palavra "Zeitgeist" esteja associada à série de filmes de Peter Joseph, "Zeitgeist: The Movie", "Zeitgeist: Addendum" e "Zeitgeist: Moving Forward", o conteúdo baseado na série de filmes não pode ser confundido com os princípios do "Movimento Zeitgeist". Ou melhor, os filmes foram meras inspirações para o "Movimento Zeitgeist" devido à sua popularidade e mensagem geral de buscar a paz, a verdade e a sustentabilidade na sociedade.

O termo "Zeitgeist" é definido como "O clima geral intelectual, moral e cultural de uma era." O termo "movimento" simplesmente implica em ação e mudança. Portanto, o Movimento Zeitgeist é uma organização que estimula a mudança no clima intelectual dominante, moral e cultural da época.

O Movimento não é sobre religião comparada, falso terrorismo, assassinos econômicos, reservas bancárias fracionadas ou reserva federal. Os filmes são desconexos com o Movimento em detalhe e são expressões pessoais de Peter Joseph. Muitas vezes existe alguma confusão a este respeito, e nos casos mais extremos, algumas pessoas têm a reação instintiva de que os integrantes do MZ apoiam "teorias da conspiração" proibidas, ou que o Movimento é "anti-religioso", ou algo similar. Este tipo de retórica tende a ser de natureza pejorativa/ofensiva, e é usado no contexto de rejeição ao Movimento, por uma associação externa errônea e de "tabu". O fato é que não há associação direta com qualquer coisa.

Se você não estiver familiarizado com o que realmente é o MZ, consulte nossos demais materiais.